14 junho 2006

O Dia do Cante

A Praça da República, em Beja, foi o cenário, em 20 de Maio último, do maior concerto coral até agora realizado no nosso País, uma iniciativa da Delegação local do Inatel-Casa Michel Giacometti- que reuniu as vozes de cerca de um milhar de intérpretes do Cante alentejano.
A Festa começou, manhã cedo, com o desfile pelas ruas de Beja de meia centena de grupos corais, provenientes do Baixo Alentejo e da margem sul do Tejo. O Dia do Cante prosseguiu, horas depois, no Regimento de Infantaria, com uma mega açorda de bacalhau para cerca de duas mil pessoas, seguido de um festival aéreo pela esquadrilha acrobática Asas de Portugal.

Foto-Pedro Barrocas
Texto – Tempo Livre

13 junho 2006

Álvaro Cunhal

Faz hoje um ano que morreu o líder histórico do PCP. A sua vida confundiu-se com a do Partido Comunista Português, para o qual foi sempre uma referência, mesmo depois de ter cedido a sua cadeira de secretário-geral, em Dezembro de 1992. Publicou obras como ideólogo do marxismo-leninismo (entre as quais "Rumo à Vitória" e "Partido com Paredes de Vidro"), só em 1995 reconheceu publicamente ser ele o Manuel Tiago da ficção literária "Até amanhã Camaradas", "Cinco Dias e Cinco Noites", "Estrela de Seis Pontas" e "A Casa de Eulália" e o António Vale que assinava temas plásticos e fazia desenhos como as suas célebres ceifeiras.
Em 1941, trabalhou como regente de estudos no Colégio Moderno, a convite de João Soares e chegou a dar explicações a Mário Soares, mas, no final do ano, passa à clandestinidade. Até 1947 conseguiu pôr de pé o partido, restabelecer as relações com a Internacional Comunista (interrompidas em 1938) e ganhou todos os "desvios internos", sendo mesmo o responsável pelo relatório político apresentado no II e IV Congressos. Preso de novo pela PIDE em 1949, no ano seguinte é levado a julgamento e é condenado a quatro anos de prisão maior celular, seguida de oito anos de degredo.Na prisão escreve e desenha. Esteve mais de oito anos isolado numa cela."Quando se tem um ideal o mundo é grande em qualquer parte", lembraria mais tarde. Nos últimos anos da sua vida esteve sempre afastado da cena política devido à sua avançada idade e ao seu estado de saúde. Álvaro Cunhal teve uma filha única, Ana (a mãe foi a sua companheira de exílio Isaura Dias) embora a mulher dos seus últimos anos fosse Fernanda Barroso.

Foto – Vidas Lusófonas
Texto – Extractos retirados de O Público

Depois de publicar este Post, soube pela comunicação social que Fernanda Barroso, última companheira de Álvaro Cunhal, tinha falecido hoje pela manhã, aos 61 anos. As voltas que a vida dá...!!!

06 junho 2006

Vanessa Fernandes

Não teve estágios de luxo, não foi tema de abertura em telejornais, nem teve honrarias de visitas ministeriais, é atleta do Benfica e cidadã deste país chamado Portugal. No último domingo em Madrid venceu mais uma prova da Taça do Mundo de Triatlo, aumentando para dez o número de vitórias consecutivas nesta prova internacional, ascendendo assim, ao primeiro lugar do ranking mundial do Triatlo.
Completou o percurso de 1,5 Km de natação, 40 Km de ciclismo e 10 Km de corrida, no tempo de 2.06.08 horas.
A jovem Vanessa Fernandes é campeã europeia de elites e sub-23 e uma carreira já recheada de assinaláveis êxitos.

01 junho 2006

Canto dos Pardais


Na genuína contemporaneidade
do espaço amalgamado
no útero prenhe
de imaginação febril,
os pardais cantam
melodias intemporais
que do passado e do presente
lançam ao homem
o desafio do abraço universal


Poema – Guilherme Afonso
Foto –
Joaquim Coelho

28 maio 2006

A 1ª Grande Aposta, ao vivo

... Começámos a preparar o nosso primeiro espectáculo ao vivo em Lisboa. Por iniciativa das associações de estudantes, seria no dia 28 de Maio, na Aula Magna.

... No dia do concerto estávamos todos muito nervosos. Será que vem muita gente?
- Vais ver que é como na Amadora, rosna o Luís, referindo-se ao malogrado espectáculo para 52 pessoas.

... Dez minutos antes do início, fomos atrás do palco. Espreitamos da pequena porta que lhe dava acesso: A sala estava à pinha! Tão cheia que não se viam os degraus. Desta vez estavam os nossos pais, que já levavam um pouco mais a sério o nosso projecto.

... Começámos com um ritmo de tambores ao qual se sobrepôs a flauta do Artur. Um início diferente, com base no TV2...

... A sala atingira o rubro. Depois, foi ver toda a gente tentar dançar o N´vula, do Filipe Mukenga, apesar do pouco espaço disponível. Namoro, do Fausto e Viriato da Cruz, um verdadeiro hit para aquele público, manteve a festa. Explodiu com o Barco Vai de Saída do mesmo Fausto e com a Prima da Chula, para fecharmos com uma nossa. Nos últimos acordes, o Luís apresenta o grupo todo. Acabou o espectáculo. Saímos a correr depois das despedidas e do tradicional “Obrigado”.
...Venham lá esses encores...

... No final da Saudade ninguém arreda pé. Terá de ser mais uma...e a seguinte será mesmo a última, decidimos....
... Uns Vão Bem Outros Mal do Fausto, para acabar em cima.
- Sonhos cor de rosa! Cháu! Despede-se o Luís.
Lá dentro, nos camarins, recebemos dezenas de abraços de amigos, colegas e familiares. Tínhamos ganho a nossa primeira grande aposta ao vivo.

Trovante Por Detrás do Palco – Manuel Faria
Foto tirada daqui

18 maio 2006

Portugal, menos

A nossa pátria está onde somos amadosMikhail Lermontov

E se houvesse a possibilidade dos portugueses poderem, na hora do registo dos seus filhos nascidos em clinicas na nossa vizinha Espanha, optarem pela nacionalidade espanhola? Porque, ser gente e contribuinte (o cumpridor, claro) em Portugal é lamentavelmente nos dias que correm, uma figura tristemente desrespeitada por todos os poderes instituídos deste país e não se perspectiva, por negligência de quem nos tem governado nos últimos anos, melhorias a prazo para o cidadão bem comportado no âmbito fiscal. Já não bastava termos que suportar o desbaratamento dos nossos impostos, o saber da ruinosa gestão que fazem dos nossos descontos para a chamada Segurança Social, o descobrir da ineficaz aplicação das nossas contribuições por parte das Autarquias, e apesar de tudo isto, ainda temos alegremente que financiar a permanência das multinacionais instaladas no nosso depauperado país. Razão tinha o Professor Agostinho da Silva quando lhe perguntaram o porquê de não usar cartão de contribuinte, dizendo ele então: “porque se tivesse que o usar, sentia-me na obrigação de responsabilizar o estado português pela aplicação do dinheiro dos meus impostos e como eu não quero ter problemas...”.

15 maio 2006

Humberto Delgado

- Nasceu em S.Simão de Brogueira, Torres Novas, a 15 de Maio de 1906.
- Frequentou o Colégio Militar, cujo curso concluiu em 1922, ingressando na Escola Militar, onde tirou o Curso de Artilharia e Campanha e donde saiu em 1925
- Em 25 de Abril de 1938 foi escolhido para o Corpo do Estado Maior, sendo o único Oficial aviador que ingressou neste organismo.
- Em 1957 é nomeado Director Geral da Aeronáutica Civil

- É piloto honorário da Força Aérea Americana e membro do Instituto of Aeronautical Sciences dos Estados Unidos da América.
- Em 1958 é candidato á Presidência da República.

- Punido pela actividade oposicionista ao Governo de Salazar, com pena de “separação do serviço”, pede asilo político á Embaixada do Brasil em Lisboa, facto que levanta enorme celeuma e polémicas jornalísticas, sobretudo na imprensa brasileira e que terminou pela sua partida para o Brasil a 20 de Abril de 1959.
- Em fins de 1961, regressa clandestinamente a Portugal para tomar o comando de uma revolta militar que deveria eclodir em várias unidades do país, mas que somente em Beja rebenta, sendo esmagada logo ás primeiras horas da manhã.
- A fim de assumir o comando da Junta de Acção Patriótica dos Portugueses de Argel, Delgado parte, ainda doente, para a capital da Argélia, onde chega a 27 de Junho de 1964.
- Tenta convencer os seus companheiros da Junta a dar prioridade ás tarefas de um Comando Operacional, trocando “balas de papel por balas de aço”, mas consideram-no “fora das realidades”.
- A Pide que então já tinha armado uma teia criminosa, mata-o a 13 de Fevereiro de 1965 em Villa Nueva de Fresnos, perto da fronteira luso espanhola.

Texto/Ilustrações-Revista do Povo

14 maio 2006

Delgado no Porto

Houve quem tivesse ousado alterar o rumo politico em que o país se encontrava mergulhado sob a batuta ditadorial de Salazar. Esta fotografia registou para a histórica, o momento em que Humberto Delgado agradece na varanda da sede da sua candidatura à Presidênca da República na Praça Carlos Alberto, no Porto, ao fim da tarde do dia 14 de Maio de 1958, as incessantes aclamações de um povo que queria simplesmente, ser livre.

10 maio 2006

Obviamente, demito-o

No dia 10 de Maio de 1958, a uma pergunta do jornalista da France Press sobre que atitude é que tomaria para com o Presidente do Conselho Oliveira Salazar, caso fosse eleito, Humberto Delgado de uma forma enérgica e sem hesitação disse: "Obviamente, demito-o". A resposta eclodiu por toda a sala repleta do Café Chave de Ouro e a frase caiu que nem uma bomba, transformando para a História este homem e este português, no "General sem Medo"

02 maio 2006

Opção

Foi há trinta anos e decorria o ano de 1976 nos meses Abril/Maio, quando surge uma revista que veio agitar um pouco as águas em que se encontrava o panorama do jornalismo português, tinha o título de Opção e o seu director foi Artur Portela Filho. Revista de uma qualidade assinalável ao nível do aspecto gráfico e da própria estrutura temática, eram abordados e sugeridos de uma forma criteriosa eventos de cinema, teatro, musica e tantas outras vertentes culturais.

Os assuntos políticos de maior projecção a nível nacional, eram tratados e discutidos por personalidades de inegável valor e prestigio. O seu estatuto editorial não era isento politicamente, assumindo-se claramente como a voz que a Esquerda podia e devia ser e inserida numa corrente jornalística na luta por um socialismo libertador, fecundo e original.
Artur Portela Filho para além de ter colaborado em vários jornais, também foi director do Jornal Novo e no seu último cargo público, foi membro da Alta Autoridade para a Comunicação Social.

25 abril 2006

25 de Abril

O dia inicial inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo

Salgueiro Maia – Foto Alfredo Cunha
Poema 25 Abril – Sophia MB Andresen

22 abril 2006

Lenine

Vladimir Ilitch Ulianov, nasceu a 22 de Abril de 1870 em Simbirsk, próximo do rio Volga. Ficou para a história conhecido por Lenine, nome que adoptou aos 47 anos de idade quando resolveu chefiar em Petersburgo um grupo de trinta bolcheviques revolucionários para alterar por completo a ordem estabelecida. Quando morreu, sete anos mais tarde, tinha transformado o império russo dos czares na União das Républicas Socialistas Soviéticas (U.R.R.S)

14 abril 2006

Abraham Lincoln

Lembrado como o presidente que emancipou os escravos de seu país, Lincoln é considerado um dos inspiradores da moderna democracia e uma das maiores figuras da história americana.

Lincoln assumiu atitude antiesclavagista e transformou-se no paladino dessa tendência após o debate que travou com o senador democrata Stephen Douglas. Em 1858, candidato ao Senado pelo novo Partido Republicano, perdeu as eleições para Douglas, mas tornou-se líder dos republicanos. Em 1860, disputou o pleito para a presidência da república e elegeu-se o 16º presidente dos Estados Unidos.

Embora considerado conservador ou reformista moderado no início da presidência, as últimas proposições de Lincoln foram avançadas. Preparava um programa de educação dos escravos libertados e chegou a sugerir que fosse concedido, de imediato, o direito de voto a uma parcela de ex-escravos. Inclinou-se também à exigência dos radicais por uma ocupação militar provisória de alguns estados sulistas, para implantar uma política de reestruturação agrária.

Em 14 de abril de 1865, Lincoln assistia a um espectáculo no Teatro Ford, em Washington, quando foi atingido na nuca por um tiro de pistola desferido por um escravista intransigente, o ex-actor John Wilkes Booth. Transportado para uma casa vizinha, Lincoln morreu na manhã do dia seguinte.
Lexicoteca - Círculo Leitores

09 abril 2006

Viajar no Tempo

Foi no ano de 1999 . Nessa inesquecível noite de 9 de Abril no Grande Auditório do CCB, assisti talvez, ao melhor espectáculo musical de Fausto. São raros os momentos de aparição de Fausto Bordalo Dias, por isso mesmo sempre tão aguardados, por quem nutre por este Cantor Maldito um respeito e uma admiração muito particulares.

Atrás dos Tempos

... Sei de vitórias e derrotas
nesta luta que se há-de vencer
se quem trabalha não se esgota
no seu salário sempre a descer
olha a polícia
olha o talher
olha o preço da vida a subir
mas quem mal faz
por mal espere
se o tirano fez a fresta
p'ra fugir
que atrás dos tempos vêm tempos
e outros tempos hão-de vir
Mas esse tempo que há-de vir
não se espera como a noite
espera o dia
nasce da força que transpira
de braços e pernas em harmonia
já basta tanta desgraça
que a gente tem no peito
a cair
não é do povo
nem da raça
mas do modo como vês o porvir
que atrás dos tempos vêm tempos
e outros tempos hão-de vir

Fotos de Guta Carvalho

01 abril 2006

Mário Viegas





Decorria o ano lectivo de 1967/68 na Escola Industrial e Comercial de Santarém! Numa das aulas desse  ano lectivo da disciplina de Português, a professora responsável levou nesse dia um gira-discos muito simples  e com ele um disco LP ( Long Play, como se chamava na época). Depois da  necessária preparação a uma audição aceitável por toda a turma,  lá ouvimos com toda a atenção indispensável a voz inconfundível do grande declamador de poesia, João Villaret. Na altura, confesso que não atribuí demasiada  valorização ao gesto  professora. Passaram-se uns bons pares anos, entrei na vida profissional e aí por meados dos anos setenta, ouvi pela primeira vez na televisão um actor a que todos atribuíam dotes excepcionais de dizer poesia, chamava-se Mário Viegas. Comecei a seguir mais de perto o percurso profissional do Mário! Era sem dúvida quem melhor sabia declamar os nossos poetas e dizer as nossas poesias. Corajoso em expor aquilo que entendia estar certo, firme na defesa de valores em que acreditava, frontal e directo nos seus pontos de vista e sempre com imensos projectos por realizar. Enfim, um grande Homem e um excelente Actor que sempre recordamos com imensa saudade.

Ah, já me esquecia, a professora de Português chama(va)-se Mariana Viegas e foi ela quem me ensinou a saber gostar de poesia.



Foto -  Fernando Negreira 



30 março 2006

Heróis dos Céus

Primeira travessia aérea do Atlântico Sul, iniciada a 30 de Março de 1922

"As esquadrilhas brasileiras escoltam já o hidro que voa, glorioso, sobre a capital do Brasil. Ouvem-se as sereias dos barcos e o estralejar de milhares de foguetes. Os navios embandeiram todos em arco. O Fairey prepara-se para amarar. Sacadura agita uma grande bandeira verde e amarela. Gago Coutinho, com a pistola de sinais, dispara uma salva de vinte e um tiros em honra do Brasil. O aparelho pára por fim, em frente da ilha das Enxadas. Traz arvorada a flâmula que havia sido oferecida pelas mulheres brasileiras. Vem despedaçada pelos ventos, mas flutua ainda orgulhosa. No Rio uma menina, neta do escritor Ramalho Ortigão, oferece aos heróis, uma salva de ouro, o pão e o sal, símbolos da hospitalidade, seguidamente são nomeados cidadãos honorários e é-lhes entregue solenemente o exemplar de Os Lusíadas, tendo o escritor Coelho Neto afirmado:
-A cruz de Cristo e os Lusíadas sustentaram-vos entre o céu e o mar. Foi com esse livro que vos equilibrastes entre as nuvens e as montanhas."

“O Grande Almirante das Estrelas do Sul” Adolfo Simões Müller

23 março 2006

Pedro Tochas

Iniciou a sua actividade como Malabarista em 1991. Desde então, tem participado em diversos Espectáculos e Festivais de caracter humorísticos. Quem não se lembra do seu brilhante desempenho na campanha publicitária das águas Frize? No último dia 14 de Março ficou em primeiro lugar no Adelaide Internacional Buskers Festival com o espectáculo "O Palhaço Escultor", no qual participaram doze artistas seleccionados de entre dezenas de outros tantos inscritos. É justo pois conhecer, o curriculum deste verdadeiro artista português .

21 março 2006

Dia Mundial da Poesia


O poema me levará no tempo
Quando eu já não for eu
E passarei sozinha
Entre as mãos de quem lê

O poema alguém o dirá
Às searas

Sua passagem se confundirá
Com o rumor do mar com o passar do vento

O poema habitará
O espaço mais concreto e mais atento

No ar claro nas tardes transparentes
Suas sílabas redondas

(Ó antigas ó longas
Eternas tardes lisas)

Mesmo que eu morra o poema encontrará
Uma praia onde quebrar as suas ondas

E entre quatro paredes densas
De funda e devorada solidão
Alguém seu próprio ser confundirá
Com o poema no tempo

Sophia de Mello Breyner Andresen

14 março 2006

Karl Marx

Karl Heinrich Marx nasceu a 5 de Maio de 1818, na cidade alemã de Trier e morreu em Londres a 14 de Março de 1883. No cemitério de Highgate, em Londres, a 17 de Março de 1883, só 11 pessoas se apresentaram no funeral de Marx. Entre elas, o seu amigo de longa data, Friedrich Engels, que não hesitou em declarar que "o nome e a obra de Marx persistirão ao longo dos tempos".
Idealizador de uma sociedade com uma distribuição de renda justa e equilibrada, o economista, cientista social e revolucionário socialista alemão, cursou Filosofia, Direito e História nas Universidades de Bonn e Berlim.
Foi o criador da obra o Capital, livro publicado em 1867, que tem como tema principal a economia. Seu livro mostra estudos sobre o acúmulo de capital, identificando que o excedente originado pelos trabalhadores acaba sempre nas mãos dos capitalistas, classe que fica cada vez mais rica as custas do empobrecimento do proletariado.
Até hoje, as ideias marxistas continuam a influenciar muitos historiadores e cientistas sociais que, independente de aceitarem ou não as teorias do pensador alemão, concordam com a ideia de que para se compreender uma sociedade deve-se entender primeiramente sua forma de produção.

11 março 2006

SLB

A História repetir-se-á ?
Foi assim, no dia 31 de Junho de 1961 no estádio Wankdorf em Berna. O "glorioso" num jogo notável, venceu o Barcelona na final da Liga dos Campeões por 3-2 e sagrou-se pela primeira vez Campeão Europeu de clubes. Para memória futura, o Benfica alinhou com Costa Pereira, Mário João, Germano, Cruz, Ângelo, Neto, Coluna, José Augusto, José Águas , Santana e Cavém. Desta vez ainda não se trata de uma final, mas é como se fosse, para todas as almas benfiquistas o que se espera é vêr a águia voando do Camp Nou para as meias-finais.

07 março 2006

Eurico de Melo

É no próximo dia 09 de Março que Cavaco Silva toma posse como Presidente da República. Depois de ter sido Ministro das Finanças de Sá Carneiro, é no entanto no célebre Congresso da Figueira da Foz que inicia o percurso político como líder dos sociais democratas. Há um homem responsável por esta aposta em Cavaco Silva e na sua consequente carreira política como Primeiro Ministro, chama-se Eurico de Melo e era na altura quem desequilibrava o centro decisório do PSD no sentido norte do País . Numa entrevista então concedida ao recém nascido ABC, declara inequivocamente a descrença no governo da AD em exercício, chefiado por Pinto Balsemão e a vontade de apostar no jovem Cavaco Silva. E assim foi, Cavaco Silva surge inesperadamente na Figueira da Foz, ganhando o Congresso, e tornando-se depois Primeiro Ministro no X, XI e XII Governos Constitucionais, no período de 1985 a 1995. O resto, é a preparação longa de uma caminhada, estrategicamente delineada até aos dias de hoje.

23 fevereiro 2006

Um pássaro igual a ti

Foi assim, a primeira página do jornal "Sete" no dia 25 de Fevereiro de 1987, afinal tinha desaparecido de entre nós, dois dias antes, o homem que mais cantou o desassossego social deste país tão maltratado nos últimos anos. Deixou ás gerações vindouras, uma enorme janela inspiradora no campo da musica popular portuguesa, muitos cantaram Zeca Afonso ou se inspiraram na sua musicalidade, alguns se referenciaram no seu ímpar desejo de transformar formas de pensar pela cultura musical. Sabemos que o sonho permanece, em cada esquina, em cada rosto, como muito bem Viriato Teles nos conta, neste belíssimo texto escrito igualmente no "Sete" .

16 fevereiro 2006

Mário Soares

Faz hoje vinte anos que Mário Soares foi eleito pela primeira vez, Presidente da Republica de Portugal. Não conseguindo ser eleito nestas eleições de 1986 à primeira volta, nas quais obteve apenas 25,43% dos votos contra 46,31% de Freitas do Amaral, acabou no entanto por o derrotar na segunda volta tendo conseguido 3.010.756 votos ( 51,18%) enquanto Freitas ficou-se nos 2.872.064 (48.82%) .
È uma figura incontornável da vida política portuguesa no pós 25 de Abril. Para uns foi o depositário da esperança dos que lutaram pela instauração do regime democrático durante os momentos conturbados que se viveram em Portugal após a queda do antigo regime de Salazar e Caetano. Para outros foi o entrave ao desenvolvimento do PREC, criando condições por isso, para a tomada do poder pelos grandes grupos económicos. Para todos, foi Ministro dos Negócios Estrangeiros nos I e II Governos Provisórios, Ministro sem pasta nos III e IV Governos Provisórios, Primeiro Ministro nos I , II e IX Governos Constitucionais e Presidente da Republica de 09 de Março de 1986 a 11 de Março de 1996.

11 fevereiro 2006

Santarém

Em 30 de Outubro de 2005 postei no , Pombalinhense um voto de esperança no exercício de Moita Flores no sentido de que fizesse por Santarém e pelo seu Concelho, a "melhor série" da sua vida. Passados que são três meses da sua tomada de posse como presidente da Câmara, é com enorme satisfação que vejo este concelho a mexer em varias áreas da sua actividade por iniciativa deste homem e da sua equipa que se predispôs a lutar por Santarém. Basta acedermos aos vários jornais regionais on-line para percebermos a “volta” que Moita Flores está a imprimir à cidade e na região. Em Março de 2005 os então responsáveis municipais apelavam mais uma vez ao ministro do ambiente para que este interviesse na resolução da poluição do Rio Alviela. Moita Flores considerando que a solução do problema não passava apenas por apelos institucionais, promove para o próximo mês de Julho um Festival internacional de musica, pondo assim a cultura ao serviço de uma causa de índole ambiental. O evento a realizar-se nas margens do rio , tem como finalidade envolver e sensibilizar a opinião publica para a gravidade do problema e para que de uma vez por todas “ não deixemos morrer o Rio Alviela. Paralelamente está a decorrer uma petição popular (disponível on-line) para levar o Parlamento a discutir a poluição deste tão importante rio regional.

Outra acção a merecer destaque por este executivo camarário, é a recolocação da estatua de Salgueiro Maia, (que por motivos de obras no local onde estava instalada, encontrava-se esquecida num armazém camarário à cerca de ano e meio), à entrada da cidade, no sitio onde em tempos foi o posto da Brigada de Transito. A inauguração deste acontecimento é simbolicamente no próximo 25 de Abril de 2006. Por estes dois significativos exemplos de gestão autárquica, aplaudo de pé este jovem presidente camarário que é Francisco Moita Flores.

07 fevereiro 2006

Os Lados da Moeda

A moeda tem sempre dois lados, um representa o seu valor facial e o outro é normalmente utilizado para a cunhagem do símbolo nacional: um grande historiador, humanista, cientista ou até chefe do estado . Mas apesar desta representação ser comum a muitos países, há sempre outras moedas que pela diferença, exigem toda a nossa revolta e nunca deveriam existir em parte alguma deste Mundo .

25 janeiro 2006

Eusébio

Nasceu para o futebol em 25 de Janeiro de 1942. Dotado de uma velocidade e uma potência de finalização incomparáveis, é considerado um dos maiores jogadores de futebol do mundo. Jogou pelo Sporting de Lourenço Marques (1959-1960), Sport Lisboa e Benfica (1960-1976) e Sport Clube Beira-Mar (1976-1977). Tendo ficado conhecido como "Pantera Negra", participou de 64 jogos internacionais e marcou 41 gols. Vestiu a camisa da FIFA (duas vezes, fazendo dois gols) e a da UEFA (cinco vezes, fazendo oito gols). Foi dez vezes campeão nacional e venceu cinco Taças de Portugal e uma Taça dos Clubes Campeões Europeus. Conquistou duas vezes (1965 e 1973) a Bota de Ouro (France-Football) e uma vez a Bola de Ouro (France-Football). Na fase final do Campeonato Mundial de 1966, na Inglaterra, sagrou-se artilheiro, com nove gols. Terminada a carreira de jogador, continuou integrado ao quadro técnico do Benfica, que lhe prestou homenagem com uma festa de despedida, em 25 de setembro de 1973, e com uma estátua na entrada do Estádio da Luz, inaugurada em 1994. Alcançou o espantoso recorde de 727 golos em 718 jogos oficiais a serviço do Benfica e da seleção nacional, sendo ainda hoje reconhecido internacionalmente como o maior símbolo do futebol português.

14 janeiro 2006

Canção de Lisboa

É mais um musical em cena no Politeama pela mão de Filipe Lá Féria. Dizer que é um espectáculo a não perder talvez seja um pouco exagerado, mas de uma coisa podemos estar certos: apesar de ser uma réplica ao primeiro filme sonoro em Portugal realizado por Cottinelli Telmo em 1933, com as compreensivas e justificadas adaptações ao nível do movimento e das roupagens, é muito bonito vermos um teatro de Lisboa repleto de pessoas, que de outra forma estariam agarradas frente a um qualquer televisor.

02 janeiro 2006

Pedro e Inês

Foi sem dúvida uma grande interpretação, aquela que Pedro Laginha desempenhou na figura de D. Pedro na série televisiva “Pedro e Inês” que a RTP transmitiu durante treze episódios e que findaram na última sexta-feira, dia 30 de Dezembro. Texto escrito (mais um) por Moita Flores , esta história de amor entre D. Pedro e Inês de Castro ilustra inegávelmente o que de bom pode ser feito em televisão por portugueses, assim as entidades responsáveis o queiram.

23 dezembro 2005

Natal e Ano Novo



A todos os Visitantes desta página, desejo-vos um Feliz Natal e um Ano Novo conforme os vossos desejos e vontades.

Cá nos encontraremos brevemente, afim de darmos continuidade às emoções que a vida nos vai carregando na maravilhosa viagem deste mundo tão belo, mas simultâneamente cada vez mais, tão maltratado. Façamos votos para que em 2006, a realidade de muitos suplante o egoísmo de alguns.

21 dezembro 2005

A História repetir-se-á ?!...



Mario Soares tem nestas Eleições presidenciais de 2006, a repetição de uma luta então travada há precisamente vinte anos, não pelos resultados (veremos) mas pelas circunstâncias decorrentes dos dois actos eleitorias. Nessas eleições de 86 os seus adversários foram Freitas do Amaral, Lurdes Pintassilgo e o seu colega de partido e amigo, Salgado Zenha ( de quem se tinha incompatibilizado por este ter apoiado Ramalho Eanes na sua recandidatura presidencial). Agora em 2006 novamente a corrida irá ser travada principalmente com o candidato da direita Cavaco Silva e mais uma vez um outro seu camarada de partido, Manuel Alegre. A sombra de Eanes persiste e desta vez mudou de poiso, instalando-se agora na candidatura de Cavaco Silva.


Em 86 Soares ganhou à segunda volta (tendo apenas 25,4% dos votos expressos na 1ª volta) com dois por cento sobre Freitas do Amaral, conseguirá reunir uma vez mais os votos de toda a esquerda a fim de impedir que a direita ocupe históricamente desde 1974 a cadeira da Presidência da República? Ou desta vez o seu "amigo" Manuel Alegre não será mais o Zenha de 1986, sendo certo que o Cavaco Silva está bem longe eleitoralmente de ser o Freitas do Amaral?

13 dezembro 2005

Foi há 35 anos...

Decorria o Ano de 1970 do dia 12 de Dezembro, precisamente há trinta e cinco anos, quando a Revista "Noticia" com sede redactorial na Calçada Gregório Ferreira nº 26 a 32 em Luanda, fazia de manchete a maior crise futebolística do Benfica. O alvo de todas as criticas era inevitavelmente o treinador inglês Jimmy Hagan.

Mal sabiam os “bota abaixo” do costume, dos quais alguns jogadores faziam parte, que apenas três anos volvidos e pela mão do mesmo treinador, o Benfica havia de se tornar Campeão Nacional sem sofrer qualquer derrota ao longo de todo o Campeonato.

07 dezembro 2005

OTELO

No programa televisivo da RPT1 Prós e Contras da última segunda-feira, o tema abordado foi o 25 de Novembro. Genericamente nada de muito importante ali foi dito, não merecendo o programa atenção muito especial. Houve no entanto uma passagem que me fez transportar e meditar para mais tarde, nas palavras ali proferidas por Otelo Saraiva de Carvalho. O Capitão operacional do 25 de Abril de quem nós já sabíamos, se tinha recusado a avançar ao encontro de quem queria fazer do 25 de Novembro, uma tomada de poder pelas forças consideradas de extrema esquerda, manifestou-se defensor para Portugal, no período do chamado PREC, de um projecto político inovador, desalinhado em relação ao Bloco de Leste e dos regimes burgueses Ocidentais. Reafirmou ele a terminar esta sua ideia, que o País perdeu uma oportunidade histórica única de experimentar uma outra realidade, que não sabia bem como caracterizá-la, sabendo apenas que era desalinhada em relação a qualquer bloco político/militar.
Defendeu e defende como se o Mundo tivesse parado trinta anos..., ou somos nós que não atingimos o patamar de compreensão indispensável a aderirmos também a tal projecto?!

26 novembro 2005

O Vencedor

Foi sem dúvida, o rosto dos que saíram vencedores do golpe militar de 25 de Novembro de 1975. Eleito Presidente da República em 1976 à primeira volta contra Otelo, Pinheiro de Azevedo e Octavio Pato, reeleito novamente à primeira volta em 1980, contra Soares Carneiro, Otelo, Galvão de Melo, Pires Veloso e Aires Rodrigues, fundador do PRD em 1985 , preside agora à comissão de honra da candidatura de Cavaco Silva a Belém.

25 novembro 2005

25 Novembro 1975

As leituras sobre o 25 de Novembro de 1975 são sempre contraditórias, coincidindo apenas numa coisa: foi um golpe militar. Uns defendem a ideia de que evitaram pela sua acção, a tomada do poder pelas forças da extrema esquerda infiltradas nas Forças Armadas, repondo assim o espirito do 25 de Abril pela via democrática. Outros dizem que foi a execução de um golpe militar da direita conservadora apoiada nas chefias militares moderadas das Forças Armadas e nos partidos politicos do centro, abrindo caminho assim à tomada do poder pelas forças capitalistas. Passados que são trinta anos sobre o acontecimento, há um ponto que cada vez é mais consensual: os que recusaram a participar na acção, talvez tivessem evitado uma guerra civil em Portugal.

24 novembro 2005

Debaixo das Oliveiras

Este foi o mês em que cantei
como quem morre e ressuscita
no terceiro dia
de cada sílaba.

O mês em que subi a uma colina
dentro de minha casa
olhei a terra e o mar
depois cantei
como quem faz com duas pedras
o primeiro lume. Palavras
e pedras. Palavras e lume
de uma vida.

Este foi o mês em que cantei
como quem espelha ao vento suas cinzas
e cresce de seu próprio adubo
carregado de folhas. Palavras
e folhas
de uma vida.

17 novembro 2005

Este Mundo danado...

A família Aboubakar, em Darfur, no Sudão, em frente da sua tenda no Campo de Refugiados de Breidjing, com o equivalente a uma semana de alimentos.
Uma semana de alimentos para a família Melander, na Alemanha.
As listas detalhadas bem como os valores gastos estão aqui

15 novembro 2005

Dentro de 50 anos ?!!!



José Saramago em entrevista ao jornal " O Público" no dia 11 de Novembro de 2005 sobre o momento actual do nosso País, durante a apresentação do seu novo livro, "As Intermitências da Morte".

07 novembro 2005

A História repete-se?!!!

Será este o nosso destino? Afinal de que nos serviu a integração na CEE, hoje CE? Passados que foram todos estes anos de tentativa falhada de aproximação ao pelotão da frente, o que constatamos ? Florescem as Zaras, abriram os Bilbao Vizcayas , os Santander e os Bancos Populares, todos nos deliciamos com as Cuetaras, calçamos diariamente sapatos da Bata, não há criança que não tenha o seu Nenuco, circulamos cada vez mais nas nossas estradas em Seats de todos os modelos, alimentados pelos combústiveis vendidos nas estações da Repsol, as nossas máquinas lavar roupa Siemens , os automóveis Ford , os televisores Philips, são montados ou fabricados em Espanha, as novas casas de habitação que se encontram à venda, estão equipadas com electrodomésticos da Teka, os azulejos e mosaicos que as revestem são fornecidos depois de escolhidos por catalogo pelos nossos vizinhos, em quarenta e oito horas, nos supermercados, os alhos, as maçãs, os melões (!!!!), comida para animais e até o peixe, tudo vem de Espanha. O Campeonato Europeu de Futebol, Euro 2004, esteve em risco de ter na sua estrutura organizadora, participação espanhola por duvidosa capacidade das entidades portuguesas em levar a bom porto, tal evento. Rejubilamos com o nascimento da nova princesa Leonor e do estado de saúde de sua mãe Letizia, como se de um ícone real também precisássemos, para podermos interiorizar religiosamente as nossas tristezas e frustrações.
Enfim, muitos mais exemplos poderiam ser listados neste rol de ofensivas económicas e sociais com que a Espanha nos tem presenteado nestes últimos anos de globalização europeia, sempre com a benevolência (ou não) de quem por obrigação tinha o dever de inflectir esta tendência colorida, como infelizmente no mapa ....