Todos dias surgem novos espaços na internet em que os seus autores os transformam em tribunas priveligiadas de opinião pública sobre as questões fundamentais que afectam as sociedades contemporâneas. No entanto há quem considere que os blogues também podem oferecer a quem os visitam, uma outra relação com a vida, ou seja, podermos de uma forma afectiva com o mundo deslumbrarmo-nos com locais maravilhosos e marcados de algum simbolismo histórico. E foi assim que reunindo uma vastíssima colecção de postais que foi guardando ao longo da sua vida na descoberta desse Mundo, que a autora nos presenteia com este bonito e interessante espaço.!!! Visitemos pois este Meu Mundo em Postais de Teresa Cruz e deliciemo-nos com a sua última passagem por Paris, Cidade das Luzes, ao som de Edith Piaf, Jaqques Brel e de Gilbert Becaud. "A vida é como a música. Deve ser composta de ouvido, com sensibilidade e intuição, nunca por normas rígidas." Samuel Butler
28 setembro 2007
O Meu Mundo em Postais
Todos dias surgem novos espaços na internet em que os seus autores os transformam em tribunas priveligiadas de opinião pública sobre as questões fundamentais que afectam as sociedades contemporâneas. No entanto há quem considere que os blogues também podem oferecer a quem os visitam, uma outra relação com a vida, ou seja, podermos de uma forma afectiva com o mundo deslumbrarmo-nos com locais maravilhosos e marcados de algum simbolismo histórico. E foi assim que reunindo uma vastíssima colecção de postais que foi guardando ao longo da sua vida na descoberta desse Mundo, que a autora nos presenteia com este bonito e interessante espaço.!!! Visitemos pois este Meu Mundo em Postais de Teresa Cruz e deliciemo-nos com a sua última passagem por Paris, Cidade das Luzes, ao som de Edith Piaf, Jaqques Brel e de Gilbert Becaud. 21 setembro 2007
Menina dos Olhos de Àgua
Menina dos Olhos de Àgua
Menina em teu peito sinto o Tejo
E vontades marinheiras de aproar
Menina em teus lábios sinto fontes
de água doce que corre sem parar
Menina em teus olhos vejo espelhos
e em teus cabelos nuvens de encantar
E em teu corpo inteiro sinto feno
rijo e tenro que nem sei explicar
Se houver alguém que não goste
não gaste, deixe ficar
que eu só por mim quero te tanto
que não vai haver menina para sobrar
Aprendi nos 'esteiros' com Soeiro
e aprendi na 'fanga' com Redol
Tenho no rio grande o mundo inteiro
e sinto o mundo inteiro no teu colo
Aprendi a amar a madrugada
que desponta em mim quando sorris
És um rio cheio de água lavada
e dás rumo à fragata que escolhi
Se houver alguém que não goste
não gaste, deixe ficar
que eu só por mim quero te tanto
que não vai haver menina para sobrar
Letra e Música Pedro Barroso
In “Cantos da Borda Dágua” 1986
16 setembro 2007
Peões em Segurança

05 setembro 2007
Ainda vamos a tempo?!!!

[Segundo a organização, que está a celebrar o seu 62.º congresso internacional em Budapeste, Hungria, a actual extinção das espécies de anfíbios "pode ser comparada à extinção que dizimou os dinossauros do planeta".
De acordo com a revista BioScience, os anfíbios que sobreviveram aos dinossauros, erupções vulcânicas e outras catástrofes durante milhões de anos, extinguem-se rapidamente por não se conseguirem adaptar às mudanças do mundo.]
Por mais alertas que a classe cientifica produza em inúmeros foruns dedicados ao tema, o homem, alguns homens, teimam persistentemente na destruição ambiental do nosso planeta. As consequências são imprevisíveis e se não houver uma consciencialização de que o tempo urge na tomada de medidas eficazes na defesa de toda a vida deste planeta Terra, poderemos estar daqui a não muito tempo em rota progressiva de uma destruição irreversível !!!!!
Foto daqui
30 agosto 2007
Regresso

31 julho 2007
26 julho 2007
Saramago
Texto Ferreira Fernandes
Foto_ Revista Caras
21 julho 2007
Credibilidade
10 julho 2007
Encosta-te a Mim
.... Tudo o que eu vi,
estou a partilhar contigo
o que não vivi, hei-de inventar contigo
sei que não sei, às vezes entender o teu olhar
mas quero-te bem, encosta-te a mim.
Encosta-te a mim,
desatinamos tantas vezes
vizinha de mim, deixa ser meu o teu quintal
recebe esta pomba qua não está armadilhada
foi comprada, foi roubada, seja como for.
Eu venho do nada porque arrasei o que não quis
em nome da estrada onde só quero ser feliz
enroscas-te a mim, vai desarmar a flor queimada
vai beijar o homem-bomba, quero adormecer.
Jorge Palma_Letra e Música
08 julho 2007
Os Meus Postais
Divulgar e dar a conhecer Postais ilustrados que foi coleccionando durante as suas viagens ou simplesmente de locais referências para a sua vida, é o que se propõe fazer a autora deste recém criado espaço intitulado Os Meus Postais . Daqui lhe endereçamos as maiores felicitações neste seu projecto como assim nesta bonita viagem que simpáticamente nos proporciona.29 junho 2007
A Festa foi Bonita...

voltas ao mesmo leito onde dormiste
e apesar do sabor que nos deixamos
o termos que partir é sempre triste
O mundo que sonhamos está tão longe
mas tudo o que esta noite se viveu
garante que afinal pode ser hoje
o mundo que se sonha e se esqueceu
Mas há uma coisa enorme que ficou:
(e é nela que teces o amanhã
que deste frente a frente resultou)
a vontade de viver outra verdade
a vontade de acordar noutra manhã
Foto_Raphael o pensativo
Versos retirados do Poema " A Festa foi Bonita" de Pedro Barroso
13 junho 2007
E agora, Mário Lino?

Foto daqui
06 junho 2007
Ana Moura
Ana Moura acaba de lançar o seu mais recente trabalho em CD intitulado "Para Além da Saudade". Produzido por Jorge Fernando, o sucessor de "Aconteceu" conta com a participação de Amélia Muge, Fausto, Patxi Andion e o saxofonista dos Rolling Stones, Tim Ries.
"Búzios" é o tema promorcional deste CD com letra e música de Jorge Fernando.
01 junho 2007
Azinhaga em Festa !!!!
Inspirada no culto do Divino Espírito Santo, introduzido em Portugal pela Rainha Santa Isabel, tinha um carácter quase singular.
O Bodo é o culminar das festividades realizadas entre os Domingos de Páscoa e de Pentecostes em honra do Divino Espírito Santo e simboliza a partilha entre os homens. Em Portugal, foram D. Dinis e a rainha Santa Isabel os monarcas inauguradores deste cerimonial religioso. Reza a tradição que a primeira cerimónia deste culto se realizou na Sé de Coimbra e que dela constou a coroação simbólica de um mendigo, seguida da distribuição de alimentos aos pobres, ou seja, do Bodo.
benévola contribuição.
Decorreu de 24 a 27 de Maio de 2007 em Azinhaga a Festa do Bodo. O Programa foi como sempre muito diversificado, tendo sempre presente, a participação popular em todas as manifestações que integram estes três dias de Festa.
Nesta foto podemos ver o Cortejo da recolha do pão pelas ruas da Azinhaga.
Nesta foto podemos apreciar a sempre tradicional Largada de Touros pelas ruas desta típica aldeia ribatejana.
Houve também lugar ao Tributo dos Avieiros da Azinhaga no dia 26 de Maio de 2007, com a presença do Presidente da Câmara da Golegã, José Veiga Maltez.Fotos e texto daqui
29 maio 2007
Sério de mais!!!!
"As pessoas crescidas têm sempre necessidade de explicações... Nunca compreendem nada sozinhas e é fatigante para as crianças estarem sempre a dar explicações."
Antoine de Saint-Exupéry
24 maio 2007
Os Meus Sonhos

Nunca cuidei da minha vida
mas dos meus sonhos sim, que são leais e verdadeiros
e trazem a ousadia dos grandes rasgos, quando, no desnorte que
me guia, põem a tenaz luminosidade, que suaviza e alimenta
Nunca zelei, por mais necessário que fosse, por um qualquer
desacerto. E da areia para o sol insisto a Luz, ao contrário do
habitual. Insisto e tu ficas, ó memória inconsolada; farol a refulgir
no negrume ácido da terra — irredutível solidão de todos os
Viandantes
Nunca cuidei da minha vida
mas dos meus sonhos sim, que são belos e insubmissos, ante a
desordem que hoje reina
Poema - Victor Oliveira Mateus
19 maio 2007
Inquietante
16 maio 2007
"MEME"
A Igreja da Graça, Igreja de Santa Maria da Graça ou Igreja de Santo Agostinho, em Santarém, é um dos monumentos mais emblemáticos da cidade de Santarém. Está situada no largo de Pedro Álvares Cabral (também conhecido como largo da Graça), na freguesia de Marvila.
A Torre das Cabaças, também conhecida simplesmente como Torre do Relógio, localiza-se na freguesia de Marvila . Esta fotografia foi registada de uma esplanada da Casa do Brasil, Casa Pedro Alvares Cabral e ao seu lado pode-se também identificar o Museu de Arqueologia de Santarém.E para que esta bonita divulgação continue por aí, proponho a continuadores: Mala Posta , Erotismo na Cidade , Sem Ordem , Dois Mais Dois , Bairro do Amor e Com Calma
12 maio 2007
"Os Velhos"

uma era justa e boa
em que o valor da pessoa
se mantém quando envelhece.
Está no trabalho que fez.
Para conseguir uma coisa como esta
dava o sangue que me resta.
E era como se tivesse
nascido mais uma vez.
Deram-nos este banco de avenida
onde a sombra nos dói e a tarde gela
e daqui vemos nós passar a vida
Sem que a vida nos sinta perto dela.
Assim nos atiraram para fora
das coisas que ajudámos a fazer.
Ai, como o sol aquece pouco agora.
Ai, muito custa à noite adormecer.
Fomos pedreiros, varredores, ardinas
fizemos casas, cultivámos terras,
criámos gado, entrámos pelas minas,
demos os filhos para as vossas guerras.
Demos as filhas para vos servir,
cortámos lenha para a vossa fogueira.
E o tempo a ir-se, e a gente a pressentir
que vos demos sem querer a vida inteira.
E ainda é sangue o que nas veias corre.
Ainda é raiva o que nos dobra a mão.
Ainda ecoa um sonho que não morre
no nosso velho e atento coração.
Poema "Os Velhos " de Hélia Correia ________ Fotografia de Jorge Folha
09 maio 2007
A eterna irreverente

06 maio 2007
Blogosfera "Meme"
AMAR, NÃO É ASSIM TÃO DIFÍCIL..., ALGUNS HOMENS É QUE GOSTAM DE COMPLICAR!!!!Passo o "meme" a, Magnólia , A Castro , Rio Abaixo , Farol das Artes , Erotismo na Cidade , Estrada Poeirenta e Bic Laranja
01 maio 2007
1º de Maio
25 abril 2007
25 de Abril em Almada
Em Almada festejou-se mais uma vez o 25 de Abril, ouvindo e cantando Fausto. Foi uma praça cheia, para ouvirmos aquele que "pelo alcance das suas canções que cuidadosamente desenha, se recusa a viver sob a ditadura do obrigatóriamente efémero ou do políticamente correcto", segundo palavras de João Gobern.
... por isso Abril é sempre, por variadíssimas razões, um bom mês para reencontrar Fausto Bordalo Dias, o autor, mas também Fausto, o cantor. Ainda palavras de João Gobern
Cavaco Silva disse hoje na Assembleia da República que chegou a hora de mudar o figurino das comemorações do 25 de Abril. Não sei, não sabemos, que proposta de alteração o Presidente da República tem em mente para apresentar à Assembleia da República ou ao Poder Local, que são estas as instituições que comemoram de formas diferentes esta data de tão carga simbólica para Portugal. Por mim, continuo com toda a certeza a festejar este dia profundamente marcante na mudança histórica deste país, com aqueles que exemplarmente souberam e sabem cantar Abril.24 abril 2007
25 de Abril
Esta é a madrugada que eu esperava
O dia inicial inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo
Sophia de Mello Breyner Andresen
18 abril 2007
Que rica Saúde!!!!
Que país este que nega a aplicação de uma vacina de âmbito nacional por razões económicas e onde simultâneamente nascem hospitais alicerçados na rentabilidade económica e no lucro, direccionado e tendo como clientelas preferenciais segmentos da sociedade das classes média e alta?
09 abril 2007
Adriano Correia de Oliveira
Blogosfera e muito mais...
Sobre a cidade de Lisboa, na qual foi durante o mandato de João Soares seu chefe de Gabinete, diz peremptóriamente que “o deixa andar está instalado na cidade “
“O afastamento é definitivo, não o empenhamento”, esta a resposta a uma das últimas perguntas de Pedro R Duarte, sobre o seu eventual regresso à vida politica.
Uma entrevista verdadeiramente a não perder AQUI na íntegra
06 abril 2007
01 abril 2007
Mário Viegas

Mário Viegas 10 Nov 1948 – 01 Abr 1996
Foto e Textos RTP
27 março 2007
21 março 2007
Parque da Paz, em Almada
É um espaço de eleição para quem deseje reencontrar a serenidade necessária a uma vida emocionalmente equilibrada. Não há em muitas cidades, um espaço com esta dimensão e no qual todos os visitantes se sentem naturalmente integrados num meio onde a natureza ainda prevalece aos desvarios do homem. Almada por isso, está de parabéns.16 março 2007
António Lobo Antunes

"Quando escrevo, penso apenas em exorcizar certas emoções, descrevê-las, vivê-las. O leitor é um acto secundário, penso nele nos últimos acabamentos do livro, quando sinto que isto ou aquilo não está inteligível."
in O Jornal, 30 de Outubro de 1992
"Eu penso que aquilo que faz com que nós continuemos vivos e capazes de criar é isso mesmo, uma inquietação constante. Sem ela não pode haver criação, quem não põe sempre, tudo em causa, arrisca-se a ter uma vida interior de três assoalhadas, num bairro económico (...)."
in O Jornal, 30 de Outubro de 1992
"(...) é muito raro ficar furioso, zangar-me. Não tenho tempo para isso. Nem tempo para estar triste."
"Qual é o seu clube?"
"Obviamente o Benfica."
in Record, 8 de Dezembro de 1996
"Que te diz este nome: Portugal?"
"Para um homem como eu, meio-brasileiro, meio-alemão, é o país de onde quase não venho e onde sempre estou."
in Jornal de Letras, Artes e Ideias, ano V, nº176, Novembro de 1985
"Eu gosto desta terra. Nós somos feios, pequenos, estúpidos, mas eu gosto disto."
in Ler, nº37, Inverno de 1997
"(...) tenho medo de, alguma vez, não conseguir escrever."
in Diário de Notícias,
Citações
23 fevereiro 2007
Zeca Afonso
Rios que vão dar ao mar
Deixem meus olhos secar
Águas das fontes calai
Ó ribeiras chorai
Que eu não volto a cantar
Programa de Homenagem a Zeca Afonso pela passagem dos vinte anos da sua morte
19 fevereiro 2007
SNS, segundo Correia de Campos

“As pessoas é que não compreendem, porque isto é dificil de explicar”
- Será que é por estarmos em vésperas de Carnaval ???!!!
09 fevereiro 2007
05 fevereiro 2007
Na Corda Bamba
Era apenas um raio de Sol na atmosfera...
Sómente o choro de uma criança a nascer
Eram os pássaros a chamar a Primavera
E alguns a decidir quem vai ou não morrer.
Na boca uma questão que não faz sentido
Nem o corpo deseja os traumas provocados
Que se houver pão há um útero protegido
E na corda bamba só andam os desleixados.
O dia compunha-se de uma prenhe realidade
Algo suspeito que nos faz pensar na vida...
E se houver um sismo de grande intensidade
Quem se fina ou não, é coisa já decidida?.
Da corda bamba saltam vozes e demagogia
Somos o Martim Moniz do sacrificio ignorado
Estamos entalados na porta da democracia
Onde só os ricos têm o tratamento desejado.
Quem quer...pode e manda.Hoje descobriu
Que há uma fonte de rendimento a explorar
Vida e morte têm leis de quem nunca pariu
Nem quis dar à mulher a liberdade de optar.
Destruir a Terra porque se conquistou a Lua
É negar a vida a quem não pode lá viver...
Tudo tem o seu tempo e eu na minha rua...
Queria mais crianças a brincar e a crescer.
F. Corte Real
Barronhos,01 de Fevereiro de 2007
01 fevereiro 2007
Referendo sobre Interrupção Voluntária da Gravidez
O que está verdadeiramente em causa, nas 12 Razões de Vital Moreira
19 janeiro 2007
As Amoras
O meu país sabe às amoras bravas
Eugénio de Andrade 19 de Jan 1923/13 de Jun 2005
05 janeiro 2007
Música Portuguesa na RTP
É hábito as televisões portuguesas, na quadra natalícia, melhorarem a grelha sobretudo com a exibição de filmes e a transmissão concertos de música. A RTP-1 também cumpriu a tradição, mas no caso da música portuguesa fê-lo da pior maneira. Começo pelos horários: Marco Paulo, Tony Carreira e Anjos passaram em horário nobre enquanto que José Mário Branco, João Braga e Camané foram atirados para a madrugada. Por exemplo, o concerto de José Mário Branco que teve como convidados nomes tão importantes como Fausto Bordalo Dias, Júlio Pereira, Filipa Pais e José Peixoto passou – pasme-se! – depois das 2:30 da madrugada. Desconheço qual o critério usado pela direcção de programas da RTP-1 para a desigualdade de tratamento dada aos vários artistas da nossa praça, mas partindo do pressuposto que pesou uma suposta maior popularidade de uns em relação a outros, então a televisão pública prestou um péssimo serviço público. A televisão pública não pode nem deve andar atrás de audiências mas tão-somente procurar apresentar o melhor serviço que está ao seu alcance. Nem vou ao ponto de dizer que nomes como Marco Paulo, Tony Carreira e Anjos (incluindo todos os ‘Pimbas’ que costumam marcar presença nos programas da manhã e da tarde) não devem ter lugar na televisão pública mas já não posso aceitar, de forma alguma, a marginalização de que cantores / intérpretes de créditos firmados e de qualidade incontestada vêm sendo alvo. E digo isto não tanto pela consideração de que tais artistas são credores, mas apenas pelo respeito que a direcção de programas da RTP-1 devia ter pelos telespectadores seus apreciadores. Assim fica-se com a ideia que de que para a televisão estatal só interessam os apreciadores de Marco Paulo, Tony Carreira, Anjos e afins enquanto que os demais telespectadores não contam para nada. Ou servirão apenas para pagar a taxa do audiovisual?E como se isto não bastasse, constata-se ainda que muitos artistas de qualidade reconhecida (entre os quais algumas figuras de referência da música portuguesa) nem sequer têm acesso à televisão do Estado, mesmo em horários esconsos, o que me parece muito grave. Por que motivo os telespectadores da televisão pública não podem ver / ouvir uma Mísia, uma Aldina Duarte, uma Ana Laíns, uma Amélia Muge, um Pedro Barroso, um Vitorino, um Janita Salomé, um Eduardo Ramos, um Rão Kyao, um Júlio Pereira, um Pedro Caldeira Cabral, um José Peixoto, um Pedro Jóia, uns Frei Fado d’El-Rei, isto para já não falar em tantos e bons agrupamentos de música folk / tradicional – Aqua d’Iris, At-Tambur, Belaurora, Brigada Victor Jara, Canto da Terra, Charanga, Chuchurumel, Contrabando, Danças Ocultas, Dar de Vaia, Dazkarieh, Gaiteiros de Lisboa, Galandum Galundaina, Lúmen, Maio Moço, Mandrágora, Mare Nostrum, Melodias do Vento, Moçoilas, Modas ao Luar, Mu, José Barros e Navegante, Nem Truz Nem Muz, Ódagaita, Pedra d’Hera, Popularis, Quadrilha, Real Companhia, Realejo, Roda Pé, Roldana Folk, Ronda dos Quatro Caminhos, Rosa Negra, Segue-me à Capela, Som Ibérico, Terrakota, Trovas à Toa, Vá de Viró, Vai de Roda.Não competiria à televisão que todos financiamos dar a conhecer ao grande público o que de melhor se faz em Portugal em matéria de música popular? Será razoável que o dinheiro dos contribuintes seja desbaratado com os produtos de mais baixo nível, e se sonegue o que tem mais qualidade e autenticidade? Uma das atribuições do serviço público de televisão não é a promoção da língua e cultura portuguesas? Ou será que o Sr. Nuno Santos entende que a música pimba e a música de cassete pirata são o que melhor representa a cultura portuguesa?Texto
02 janeiro 2007
19 dezembro 2006
18 dezembro 2006
05 dezembro 2006
Para pensar...
"Não tenho filhos e tremo só de pensar. Os exemplos que vejo em volta não aconselham temeridades.Hordas de amigos constituem as respectivas proles e, apesar da benesse, não levam vidas descansadas. Pelo contrário: estão invariavelmente mergulhados numa angústia e numa ansiedade de contornos particularmente patológicos. Percebo porquê.
... A criança nasce, não numa família mas numa pista de atletismo, com as barreiras da praxe: jardim-escola aos três, natação aos quatro, lições de piano aos cinco, escola aos seis. E um exército de professores explicadores, educadores e psicólogos, como se a criança fosse um potro de competição.
Eis a ideologia criminosa que se instalou definitivamente nas sociedades modernas: a vida não é para ser vivida - mas construída com sucessos pessoais e profissionais, uns atrás dos outros, em progressão geométrica para o infinito. É preciso o emprego de sonho, a casa de sonho, o maridinho de sonho, os amigos de sonho, as férias de sonho, os restaurantes de sonho ...
Não admira que, até 2020, um terço da população mundial esteja a mamar forte no Prozac. É a velha história da cenoura e do burro: quanto mais temos, mais queremos. Quanto mais queremos, mais desesperamos.
A meritocracia gera uma insatisfação insaciável que acabará por arrasar o mais leve traço de humanidade. O que não deixa de ser uma lástima. Se as pessoas voltassem a ler os clássicos, sobretudo Montaigne, saberiam que o fim último da vida não é a excelência, mas sim a felicidade!"
João Pereira Coutinho ( Jornalista )
24 novembro 2006
António Gedeão
Pedra FilosofalEles não sabem que o sonho
é uma constante da vida
tão concreta e definida
como outra coisa qualquer,
como esta pedra cinzenta
em que me sento e descanço,
como este ribeiro manso
em serenos sobressaltos,
como estes pinheiros altos
que em verde e oiro se agitam,
como estas aves que gritam
em bebedeiras de azul.
Eles não sabem que o sonho
é vinho, é espuma, é fermento,
bichinho álacre e sedento,
de focinho pontiagudo,
que fossa através de tudo
num perpétuo movimento.
Eles não sabem que o sonho
é tela, é cor, é pincel,
base, fuste, capitel,
arco em ogiva, vitral,
pináculo de catedral,
contraponto, sinfonia,
máscara grega, magia,
que é retorta de alquimista,
mapa do mundo distante,
rosa dos ventos, Infante,
caravela quinhentista,
que é cabo da Boa Esperança,
ouro, canela marfim,
florete de espadachim,
bastidor, passo de dança,
Colombina e Arlequim,
passarola voadora,
pára-raios, locomotiva,
barco de proa festiva,
alto-forno, geradora,
cisão de átomo, radar,
ultra-som, televisão,
desembarque em foguetão
na superfície lunar.
Eles não sabem, nem sonham
que o sonho comanda a vida,
que sempre que um homem sonha
o mundo pula e avança
como bola colorida
entre as mãos de uma criança.
António Gedeão/Rómulo de Carvalho nasceu a 24 Novembro de 1906
23 novembro 2006
O nosso déficit
Combater o déficit será só o único e prioritário desígnio nacional?!!! O grande problema que se coloca, é o de saber como sairmos desta situação em que nos encontramos, dentro deste contexto político europeu e global. Portugal enferma por grandes e injustas desigualdades entre a sua população. Qualquer pedido de sacrifício que seja exigido, é sempre incompreendido e dificilmente aceite pelas pessoas com mais baixos rendimentos. Qual poderá ser então a verdadeira saída para este país, sem prejudicar demais, sempre os mesmos? È recorrer à política simplista de aumentar os impostos sobre o consumo de modo a crescer a receita e consequentemente encher mais os cofres do estado? A Irlanda pela voz do seu ministro da economia, baixou o IVA, para angariar mais investimento e daí criar mais postos de trabalho abrindo assim as portas a um efectivo bem estar social!!!! Há uns tempos um ilustre economista chamado Silva Lopes defendia a ideia de que havia um outra forma de combater o déficit, ou seja, já que pelo corte da despesa o caminho era difícil, só no aumento do rendimento lá poderíamos chegar. Então se é assim, porque não apostarmos em qualquer ícone produtivo que nos tire desta difícil situação económica? Fala-se no turismo. Existe algum plano nacional mobilizador de modo a tirarmos o verdadeiro rendimento desta dádiva com que a natureza nos presenteou? Não é possível em simultaniedade com o exigido combate ao déficit, projectar-se medidas a curto prazo que sejam dinamizadoras da nossa economia de modo a entrarmos finalmente numa lógica de desenvolvimento e progresso? Porque o que se tem visto é cortar, cortar, cortar....na despesa. Pergunta-se, até quando ?Foto-Isabel Gomes da Silva
17 novembro 2006
O meu quintal

Não ficou qualquer outro registo.
As cores de verão que quente me surpreendia, a rondar a porta do formigueiro. Contava--as uma a uma, mas às vezes já me falhava a sequência e desistia. Divertia-me, espreitar o que levavam agarrado ao corpo. Não percebia porque levavam coisas tão grandes que quase pareciam impossíveis. Os meus impossíveis também chegavam a ser pesados, embora não lhes visse o volume.
O triciclo também desapareceu. Até hoje foi o que mais gostei de conduzir. No meu quintal não havia auto-estradas mas os caminhos eram muitos e eu fazia quilómetros à volta dos canteiros e dos cheiros.
A relva era inundada de roupa com frequência. O que eu gostava de lhe encontrar o macio debaixo dos pés descalços…
A mesa de pedra em tamanho XL ficava em frente, e as molas da roupa enfeitavam-lhe o espaço.
Os armários de garrafas verdes vazias à espera de vinho inventado já no Outono e os passos arrastados do mais velho do clã, que em rabugice desfiava ordens de protecção das suas obras. Naquele quintal tudo lhe pertencia mas eu acreditava que não. Apesar de ser sua a arte era meu, o domínio. Não havia um centímetro que não conhecesse… mesmo o que pertencia aos que voavam. Acompanhei andorinhas em voo rasante e seguia com elas até ver as estrelas perto do cabelo. Um dia ficou lá presa a minha trança e até hoje não a consegui recuperar.
Debaixo do telheiro havia uma capoeira de coelhos. Um dia apercebi-me que cada vez havia mais. Na mais pura das inocências chamei-lhe mistério. Apareciam sem eu saber como. Mistério para mim era uma palavra mágica. Chamava isso a tudo o que ia para além do meu entendimento, e ficava resolvida a minha ignorância. Esse conceito aplicado ao presente simplificaria todas as minhas convicções / limitações…
O cavalo de madeira tinha uma campainha que tocava com a sequência do galope. Era a minha irmã que costumava galopar com mais força. Quando chegou ao quintal, já eu preferia pedalar, de modo que nunca lhe liguei muito. Preferia movimento naquele espaço, para que não o visse como era realmente…
É íntimo cada som e cada imagem que reservo. É aí que encontro a minha infância.
De vez em quando, ainda acompanho os voos rasantes… mas agora já não há trança para prender nas estrelas…
Nesses que ainda faço, estão algumas estradas desenhadas, mas há um caminho sem limites. O pensamento não conhece fronteiras, nem cor, nem credos. É sempre libertação. Mesmo que o corpo se prenda nas teias de um mundo concebido em ferro, é volátil o pensamento e foge de limites que o corpo desenha. Já longe do meu quintal, costumo gritar alto…
Mas quando abandonar as asas que me transportam, direi apenas… “até breve…”
E se eu quiser acrescentar um som às cores de verão de minhas memórias, ouvirei ao fundo, entre um mar e uma montanha que guardo no meu peito, uma trompete e uma guitarra portuguesa…no meu quintal…
Texto – Manuela Lamy
Foto – Alba Luna
11 novembro 2006
Claridade

Clareou.
Vieram pombas e sol,
E de mistura com o sonho
Posou tudo num telhado...
Eu destas grades a ver
Desconfiado
Depois
Uma rapariga loura
(era loura)
num mirante
estendeu roupa num cordel:
roupa branca, remendada
que se via
que era de gente lavada,
e só por isso aquecia...
E não foi preciso mais:
Logo a alma
Clareou por sua vez.
Logo o coração parado
Bateu a grande pancada
Da vida com sol e pombas
E roupa branca, lavada.
Poema Miguel Torga
Foto José Varela
04 novembro 2006
Pedro Barroso

Foi há quinze anos que ouvi pela primeira vez e ao vivo Pedro Barroso. Considerado talvez, o último dos trovadores da música popular portuguesa é um homem de valores e causas, abordando sempre nas suas canções temas tão importantes como o Amor a Solidariedade ou a História. Foi distinguido no ano de 1994 pela Casa do Ribatejo com o título de “Ribatejano Ilustre”.
Nessa noite a acompanhar Pedro Barroso, um outro grande músico esteve presente no palco do São Luis, chama-se Sérgio Mestre, era flautista e felizmente com eles
02 novembro 2006
Patetice

Depois de ouvir o Alberto João é impossível ficar indiferente. Hoje, a televisão de serviço público presenteou-nos com um programa humorístico de classificação medíocre e de baixíssima qualidade, definitivamente prefiro os Gatos Fedorentos, estes por enquanto conseguem-me pôr os neurónios saudávelmente em funcionamento. Pergunto a mim mesmo, porque raio de razões é que a Judite de Sousa se enganou no programa, ela habituando-nos a uma imagem televisivamente construída, não costumava entrevistar pessoas depois do telejornal?!!! Bem, é um facto que depois de ter reconhecido a situação insólita de estar no programa errado, lá tentou incutir um pouco de seriedade e cumprir o alinhamento da produção, mas o homem estava ali mesmo era para fazer humor, aliás, é o que ele melhor consegue fazer, mas sempre tem sido nas tardes carnavalescas da Madeira, não é? Senti-me decepcionado, esperava mais da direcção de programas da RTP1, vertente entretenimento, afinal de contas pagamos impostos, só para isto??!!!...
Nota – Sei que de meritório este tema nada tem, mas..., tinha que desabafar mesmo, nesta noite chuvosa de Novembro.
Caricatura daqui
27 outubro 2006
A Memória Meditada

A vida sendo presente é sobretudo passado, adquirindo verdadeiro sentido quando despertarmos das memórias os acontecimentos que nos ligaram indubitavelmente a essa esplendorosa viagem da qual Pitágoras apelidou e bem, de grande sala de espectáculos. Remexemos no baú das nossas recordações e eis que encontramos testemunhos de tempos menos meditados e por isso mesmo, vazios de uma atenção mais cuidadosa, justificando assim nos tempos presentes, um outro olhar e porventura uma leitura muito mais atenta e quiçá uma dedicação mais apaixonada. Há uns anos não muito longínquos conheci Fausto Bordalo Dias, compositor, cantor e um dos melhores criadores de música popular portuguesa, assisti de uma forma privilegiada a concertos musicais por si interpretados, tão importantes na sua carreira como os que se realizaram no Teatro S. Luis, no Rossio e Praça do Comércio em Lisboa, em Almada, no CCB, e por último no Seixal. Passados que foram trinta e cinco anos e encontrar uma referência deste cantor na revista Flama publicada no verão de 1972, é uma sensação de caminho percorrido desde há muito com a sua música e os poemas deste grande "trovador mas não bobo, sinaleiro mas nunca polícia", como o classificou e bem João Gobern na apresentação do seu último trabalho, A Ópera Mágica do Cantor maldito, no CCB.Razão tem François René quando afirmou que “ A nossa vida é tão vã que não passa de um reflexo das nossas memórias”. E hoje nesta caminhada imensamente conturbada, aumenta a necessidade de continuarmos referenciados e lúcidos, de guião em punho e a voar por cima das águas, para bem das nossas existências.
20 outubro 2006
Janeiro de Cima
Seguindo o conselho do Rui Dias José , percorri por uns breves instantes o álbum de Sílvia Antunes e fiquei maravilhado com o que lá fui encontrar. É muito reconfortante saber de que ainda existem boas vontades na preservação do que é português, contra a acutilância desmesurada das novas tecnologias quantas vezes inadequadas e impróprias na sua utilização ao nível do traço arquitectónico das nossas casas.
É pois, para quem aprecia estes estados de alma, muito recomendável visitar este álbum da Sílvia Antunes de onde estas duas fotos foram tiradas e porque não a própria aldeia, situada na região do Fundão e chamada Janeiro de Cima.









