11 abril 2014

Aquecimento Global!




O aquecimento global não está a ser levado a sério e o tempo está a esgotar-se para evitar consequências como a seca e a inundação de cidades, disse na quinta-feira o presidente do Banco Mundial.

 

 

"Estamos a chegar rapidamente a um ponto em que não vamos ser capazes de manter o aquecimento global abaixo dos dois graus Celsius ", disse Jim Yong Kim no início da reunião de primavera do Banco Mundial e do FMI, em Washington.

 

O presidente do Banco Mundial defendeu que "o aquecimento de dois graus Celsius vai ter grandes implicações", indicando que "40% das terras aráveis de África desaparecerão e a cidade de Banguecoque poderá ficar submersa".

 

O Banco Mundial está a envidar esforços em várias áreas para combater as alterações climáticas, nomeadamente no preço do carbono, no financiamento da energia renovável, e na pressão exercida junto dos Governos para removerem os subsídios à energia.

 

No entanto, Jim Yong Kim receia que muitos tenham deixado de pensar nas alterações climáticas como um problema urgente.

"Daqui a 10 ou 15 anos, quando rebentarem batalhas devido à falta de acesso a água e comida, estaremos todos aqui sentados a pensar: Meu Deus, por que não fizemos mais naquela altura?", desabafou, confessando-se "extremamente preocupado", por "o mundo ainda não estar a levar o assunto suficientemente a sério". 

 

 

 

Fonte -  DN    

 




27 fevereiro 2014

O Sol





O Sol e uma erupção de intensidade média.








  • O Sol e uma erupção de intensidade média

20 janeiro 2014

Assim vai o mundo !!!


Metade da riqueza mundial nas mãos de 1% da população

 

 

Cerca de metade da riqueza mundial é actualmente detida por 1% da população, denunciou hoje a ONG Oxfam, adiantando que as desigualdades económicas aumentaram rapidamente na maioria dos países desde o início da crise.
 

No relatório "Governar para as elites: sequestro democrático e desigualdade económica", a Oxfam conclui que a concentração de 46% da riqueza em mãos de uma minoria supõe um nível de desigualdade "sem precedentes" que ameaça "perpetuar as diferenças entre ricos e pobres até as tornar irreversíveis".

A Oxfam refere ainda que os cerca de 1% dos mais ricos aumentaram os rendimentos em 24 dos 26 países para os quais os dados estão disponíveis entre 1980 e 2012 e que sete em cada dez pessoas vivem em países onde a desigualdade económica aumentou nos últimos 30 anos.


Assim, os cerca de 1% dos mais ricos na China, em Portugal e nos Estados Unidos mais do que duplicaram os rendimentos nacionais desde 1980 e mesmo nos países com a reputação de serem mais igualitários como a Suécia e a Noruega, a riqueza dos 1% mais ricos aumentou 50% no período em referência.


O relatório da Oxfam sublinha que a metade mais pobre da população mundial possui a mesma riqueza que as 85 pessoas mais ricas do mundo.


A ONG calcula ainda que há 18,5 biliões de dólares (13,6 biliões de euros) não registados e em países terceiros de baixa tributação, pelo que na realidade a concentração de riqueza é muito maior.

Segundo os dados da Oxfam, 210 pessoas juntaram-se em 2013 ao clube dos multimilionários cuja fortuna é superior aos mil milhões de dólares, formado por um conjunto de 1.426 pessoas que concentram uma riqueza 5,4 biliões de dólares (quase quatro biliões de euros).

Para a Oxfam, este aumento das desigualdades deve-se em grande parte à desregulamentação financeira, aos sistemas fiscais e às regras que facilitam a evasão fiscal.

A organização também denuncia as medidas de austeridade, as políticas desfavoráveis para as mulheres e a confiscação das receitas provenientes do petróleo e da extração de minérios.

Por outro lado, a ONG associa as desigualdades económicas extremas e a confiscação do poder político por uma elite rica, que governa para servir os seus próprios interesses.

"Sem uma verdadeira ação para reduzir estas desigualdades, os privilégios e as desvantagens vão-se transmitir de geração em geração, como no antigo Regime. Viveremos então num mundo onde a igualdade de oportunidades será apenas uma miragem", conclui a Oxfam.

Aos participantes de Davos, a Oxfam apela para um seja acordado um “compromisso” para não se utilizarem paraísos fiscais, não trocar dinheiro por favores políticos e exigir aos governos para que garantam a saúde, a educação e a proteção social dos cidadãos com a arrecadação de receitas fiscais.

O relatório da Oxfam surge na semana em que se realiza o Fórum Económico Mundial (WEF) de Davos na Suíça, uma reunião durante a qual se analisarão os problemas emergentes do mundo e onde se tentarão encontrar soluções para as crescentes situações de desigualdade.

O WEF, que se reúne a partir de quarta-feira em Davos, na Suíça, identificou as desigualdades económicas como um importante risco para o progresso humano.

 

 

Fonte -  Sol



 
 

21 outubro 2013

"Relógio Biológico" do ADN




Cientistas norte-americanos descobriram um mecanismo no ADN que funciona como uma espécie de "relógio biológico" que mede a idade dos tecidos e dos órgãos e permite entender o processo de envelhecimento,  revela  a revista cientifica  "Genome Biology".

 

Segundo a   investigação  , a cargo de cientistas da Universidade da Califórnia, Los Angeles, o relógio mostra que ainda qu emuitos tecidos saudáveis envelheçam ao mesmo ritmo que o conjunto do organismo, alguns fazem-no mais rápido e outros mais lentamente.

 

Os Investigadores acreditam que conhecer este funcionamento ajudará a entender o processo de envelhecimento e também desenvolver fármacos que permitam controlá-lo.

 

"Seria muito emocionante desenvolver intervenções terapêuticas para reajustar o relógio e, com otimismo, matermo-nos jovens", disse Steve Horvath, professor de genética da Universidade da Califórnia e responsável pela investigação.

 

No estudo, a equipa de investigadores avaliou o ADN de quase 8.000 amostras de 51 tipos de tecidos e células de corpo, focando-se particularmente como a metilação, um processo natural que modifica quimicamente o ADN, varia com a idade.

 

O relógio biológico acelera no sprimeiros anos de vida até aos 20 anos, depois reduz a velocidade e mantém o ritmo contínuo, segundo a investigação, que indica que ainda se desconhece se estas mudanças no ADN causam o envelhecimento.

 

Os dados do relógio biológico revelam que o stecidos saudáveis do coração revela  uma idade biológica de cerca de nove anos mais jovens do que o pensado, enquanto os tecidos mamários femininos envelhecem mais rapido que o resto do corpo.

 

"Os tecidos mamários femininos, incluindo os saudáveis, parecem mais velhos que outros do corpo humano.  É interessante tendo em conta que o cancro da mama é o mais comum nas mulheres. Além disso, a idade é um dos factores de risco do cancro, por isso, este tipo de resultados, poderia explicar porque é que o cancro da mama é tão comum" acrescentou Horvath.



Fonte - 
 SIC Noticias 

 



30 setembro 2013

15 setembro 2013

Vida nas Luas de Júpiter e Saturno?!??!





A astrobióloga portuguesa Zita Martins, do  Imperial College of London, co-autora de um artigo científico publicado  hoje, acredita que há condições para existir vida nas luas de Júpiter e  Saturno, pela importância do gelo na criação de aminoácidos.



Toda a gente fala de Marte, mas eu acho muito mais interessantes as  luas de Júpiter e Saturno, porque têm as condições ideais para a existência  de vida", afirmou à agência Lusa a investigadora do Imperial College of  London, que tem o artigo publicado hoje, na revista Nature Geoscience. 

 

A convicção foi reforçada pelos resultados de uma experiência realizada  em parceria com a Universidade de Kent, na qual foi disparado, a alta velocidade,  um projétil de aço contra misturas de gelo, análogas às encontradas nos  cometas.   


O objetivo era reproduzir o impacto de um cometa com uma superfície  rochosa, e o resultado foi a descoberta de vários tipos de aminoácidos,  nomeadamente glicina e alanina D e L.  

 

Estes compostos orgânicos são definidos pela cientista portuguesa como  "os blocos constituintes da vida", pois estão na origem de proteínas que,  por sua vez, são essenciais à existência de matéria viva. 

 

Zita Martins conta que já se sabia que os cometas, astros que na sua  composição têm gelo, podem conter aminoácidos, como foi recentemente confirmado  pela descoberta de glicina no cometa Wild 2, através de amostras recolhidas  pela NASA, a agência espacial norte-americana.  


Mas esta simulação em laboratório convenceu os autores de que os aminoácidos  também podem aparecer com o impacto de corpos rochosos, como meteoritos,  em superfícies de gelo em planetas ou noutros corpos celestes, como são  as luas Europa e Enceladus, de Júpiter e Saturno. 

 

Tal como outros astrobiólogos, Zita Martins afirma que, cada vez mais,  a hipótese de que os satélites de Júpiter e Saturno "poderão ter vida, começa  a ganhar credibilidade" e mais interesse do que Marte, onde se têm centralizado  as mais recentes missões espaciais.

  

"Até agora só existiam teorias de como a vida pode ter surgido, mas  esta experiência reforça a suposição de que o gelo e o impacto são essenciais",  vincou, lembrando que aquelas luas foram alvo do choque com inúmeros cometas  e meteoritos há cerca de quatro mil milhões de anos.  

 

O artigo publicado hoje, na versão "online" da revista Nature Geoscience,  em coautoria com Mark C. Price, contribui também para o estudo do processo  da criação da vida no planeta Terra, possivelmente iniciado há cerca de  quatro mil milhões de anos. 

 

Para a investigadora portuguesa, há cinco anos no Imperial College,  o próximo passo será perceber, no entanto, se o impacto de gelo e rocha  no espaço pode sintetizar proteínas ou outras formas moleculares mais complexas,  e assim chegar mais perto da resposta à questão sobre a possibilidade de  existência de vida noutras partes do sistema solar.  

 

Fonte -   SIC Notícias  

 

 
 
 

29 julho 2013

Dívida sem Perdão!


"A prestigiada revista Nature (ver artigo de Filomena Naves, no DN de 25 de julho) alertou para a "bomba-relógo" representada para o clima e para a economia mundiais pelo iminente colapso parcial do "permafrost" dos fundos marinhos do oceano Ártico, agora exposto ao aquecimento da coluna de água exposta à radiação solar, devido ao degelo das massas de gelo flutuantes. Com isso poderão ser libertados para a atmosfera 50 mil milhões de toneladas de metano, cujo efeito de estufa é vinte vezes mais intenso do que o do dióxido de carbono. E não ficamos por aqui. Estudos sobre o comportamento dos oceanos mostram que a maior parte do calor associado às alterações climáticas está a ser absorvido pelos mares, e que, com uma alta probabilidade, ele será devolvido, parcialmente, à atmosfera, dentro de alguns anos, aumentando, assim, de modo brusco, a temperatura média à superfície do planeta.


Por outro lado, a investigação sobre a criosfera, em particular na Gronelândia, revela-nos um processo muito acelerado de desagregação dos glaciares, que provocará, se se confirmar, uma subida, muito mais rápida do que o previsto, do nível médio do mar, tornando o litoral numa zona ameaçada pelo aumento da erosão e da intrusão marinha, danificando as infraestruturas costeiras. Enquanto andamos entretidos com bagatelas como a "dívida soberana", encolhemos os ombros à destruição acelerada da habitabilidade deste planeta que tratamos como se fosse um de entre muitos, e não a única casa onde os nossos filhos poderão sobreviver na solidão do infinito cósmico. A dívida soberana poderá ser reestruturada e amenizada. A dívida ambiental, do futuro que estamos a deixar roubar aos mais jovens, e aos que ainda não nasceram, essa, não tem perdão."


Viriato Soromenho Marques  - Diário Notícias 




 

04 julho 2013

A maldição de Unamuno !



"O grande filósofo espanhol Unamuno (1864-1936) conhecia bem Portugal. Foi amigo de Manuel Laranjeira, que terminou a vida disparando um revólver contra si próprio, em 1912. Unamuno registou também a bala mortal de Antero de Quental (1891), antecedida do disparo fulminante de Camilo Castelo Branco (1890). A indução é quase inescapável. Unamuno chamou a Portugal "um país de suicidas". Ao olhar para a situação deplorável do Governo, é impossível não pensar que o diagnóstico do pensador espanhol permanece, de alguma maneira, válido. Num Governo com ampla maioria parlamentar, suportado incondicionalmente por Belém, com uma oposição cordata, o Executivo implode devido ao desacerto entre Passos e Portas. Há, contudo, duas diferenças: Laranjeira, Quental e Camilo puseram termo à existência, não na sequência de uma explosão narcísica, como no choque entre Portas e Passos, mas talvez por terem olhado o mundo de frente, demasiado tempo, sem pestanejar. Em segundo lugar, Laranjeira, Quental e Camilo dispararam apenas contra si próprios, enquanto Portas e Passos agrediram uma nação inteira.


Não foi só a destruição de valor na Bolsa nacional, que escalou quase aos três mil milhões de euros. É a confirmação, aos olhos do mundo inteiro, de que somos liderados por adolescentes que não cresceram, na altura em que o País precisaria, desesperadamente, de estadistas. Quanto aos dirigentes do CDS que mandataram Portas para dialogar com Passos, aconselho a que troquem os filmes de série B, sobre zombies, por leitura clássica. Recomendo o Livro dos Mortos do Antigo Egito, um tesouro de espiritualidade recuperado para a Europa pelo alemão Karl Lepsius. Aí se aprende que a viagem dos mortos se faz apenas num sentido. Sem regresso."

 

 

Viriato Soromenho Marques     Diario Noticias  




 
 

28 junho 2013

Mandela, que me libertou

 

 

 "Eu sou um homem branco e sei-o desde criança. Num quintal luandense, um carregador negro, ferido por uma palavra que eu, miúdo de calções, lhe dissera, tirou um canivete, cortou-se levemente no braço e mostrou-mo: "Olha, é igual ao teu." Aprendi. Eu sou aquele que precisou que lhe mostrassem uma evidência. O bocado da minha vida de que mais gosto é que depois de mostrada nunca mais esqueci aquela evidência. Fiz amigos, daqueles que me sorriem na memória, fiz escolhas, daquelas que me marcaram o destino, em que pesou eu saber que aquela evidência - a igualdade dos homens - é. É mais do que justa. Simplesmente é, existe. Como aconteceu a muitos pied-noirs, tive de responder à opção que Camus definiu ser entre a justiça e a mãe. Escolhi o campo nacionalista angolano, quando isso não era comum entre os brancos, lutei por ele, quando era perigoso fazê-lo, tive de me exilar, quando não se sabia por quanto tempo.


Mas, desmentindo o dilema de Camus, nunca me senti contra a minha mãe (e o meu pai) - nem quando a história lhes tirou a terra que era deles. Na verdade, sobre a questão política fundamental que se me pôs na vida, a independência de Angola, eu não podia ser outra coisa senão aquilo que o pequeno fio de sangue de um carregador negro me mostrou. Apetece-me dizer isto hoje porque a minha vida só faz sentido porque houve um líder como Nelson Mandela. Sem ele eu sentir-me-ia abusado, dano colateral, mexilhão. E não, não sou. "

 

 

Ferreira Fernandes -  Diario Noticias  





 

14 junho 2013

Alterações climáticas!!!


Inundações ameaçarão 100 milhões no fim do século

 

por Carolina Oliveira, editado por Ricardo Simões Ferreira - Diário Notícias
 

 

A população global será ameaçada 25 vezes mais por inundações até ao final do século, comparativamente com o que acontecia em meados do séc. XX, segundo um estudo realizado pela Universidade de Tóquio divulgado ontem. Cerca de 100 milhões de pessoas ficarão assim em risco devido a alterações climáticas.

 

O estudo analisa as alterações ocorridas nos casos de cheia a nível global e alia as previsões de subida de temperatura provocadas pelo aquecimento global. E conclui que até 2100 o risco de cheias pode afetar até 40% da superfície da Terra.

Caso o aquecimento global se mantenha em 2 graus Celsius, o número de pessoas ameaçadas pelas cheias poderá ser de 30 milhões. No pior cenário, se a temperatura subir até aos 6 graus Celsius, estarão em risco de serem afetadas por enchentes 106 milhões de pessoas.


A equipa do estudo, publicado no jornal britânico "Nature Climate Change", é liderada pelo professor de Hidrologia Yukiko Hirabayashi. Para chegar a esta conclusão, analisaram 11 modelos climáticos e os mais recentes modelos de cheias.

  

 

21 março 2013

Satélite Voyager



É um marco assinalado a estrelas e anos luz que a humanidade acaba de atingir. Milhões de anos após os primeiros homens olharem para o céu e tentarem perceber o que estava além daqueles pontos distantes, o ser humano conseguiu finalmente ultrapassar algo aparentemente inatingível.

O satélite Voyager tornou-se o primeiro objeto construído pelas nossas mãos a ultrapassar os limites do Sistema Solar e a sair completamente da influência dos raios solares, de acordo com a "American Geophysical Union".

O marco chega 35 anos após o lançamento do satélite, que ultrapassou todas as expectativas de durabilidade e foi alimentando as expectativas dos especialistas relativamente à possibilidade de atingir esta meta.

Placa dourada

 

"Num espaço de poucos dias, a intensidade heliosférica da radiação do satélite diminuiu e a intensidade dos raios cósmicos aumentou, dados que demonstram que o objeto abandonou a heliosfera. Estamos numa nova região. E tudo o que estamos a analisar é diferente e excitante", afirmou Bill Webber, professor emérito de Astronomia na Universidade estadual do Novo México, em declarações reproduzidas pela revista "Time". 

De acordo com o "Huffington Post", desde que entrou em órbita, a 5 de setembro de 1977, que o Voyager já viajou mais 17 mil milhões de quilómetros e trouxe-nos imagens nunca antes vistas dos planetas do sistema solar. O satélite foi construído com uma placa dourada que contém dados da civilização humana, caso o objeto seja encontrado por algum ser extra-terrestre.

Agora, o satélite tem como destino a estrela AC +793888, à qual, em principio nunca chegará porque as suas reservas de plutónio irão acabar dentro de 15 anos

 

Quando tal acontecer, o transmissor deixará de funcionar o Voyager vagueará sem rumo pelo Universo.

 

Ler mais: Expresso





10 fevereiro 2013

Curiosidade em Marte!


 
 
 

Está aberto um buraco no solo do Planeta Vermelho para recolha de amostras para análise. Missão cumprida.

A NASA (Agência Espacial norte-americana) classificou de êxito a missão programada para o "Curiosity" em Marte: perfurar solo marciano pela primeira vez e recolher amostras para análise. Do pequeno buraco, de 6,4 centímetros de profundidade e 1,6 centímetros de diâmetro, serão extraídas amostras para análise. As imagens do buraco feito chegaram hoje à Terra. "Este feito é o marco mais importante para a equipa do "Curiosity" desde a aterragem em Agosto último, outro dia de orgulho para a América", disse o administrador associado da NASA para as Missões Científicas, John Grunsfeld.

 

Fonte - Diario Noticias





 

21 novembro 2012

O declínio da Europa!

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"A consequência imediata deste mau desempenho económico está no emprego, que entrou em regressão, elevando a taxa de desemprego para 12% da população activa, um valor sem paralelo noutras áreas como os EUA, a China ou o Japão. Numa Europa em que quase tudo corre mal, este é um indicador explosivo que vai perseguir-nos pela vida fora. E não me venham com histórias de embalar meninos. Esta austeridade “porque sim”, mera birra de economistas frustrados, é das coisas mais estúpidas que nos poderiam acontecer.

 

O corolário de tudo isto é uma dívida que, a não ser reestruturada, pode pôr em causa a sobrevivência do próprio euro. Ponto um: esta dívida não poderia exceder 60% do PIB, mas só 5 dos 17 países respeitam a regra. Ponto dois: a média da zona euro é de 92% do PIB, e à volta deste valor andam a Espanha, a França e a Alemanha. Ponto três: com dívidas superiores a 100% do PIB estão a Irlanda, a Itália, a Grécia e Portugal. Alguém me explica como é que uma austeridade sem regras vai gerir estas situações?



A este descalabro europeu as ‘troikas’ que nos governam contrapõem que vamos no caminho certo. Nem de propósito: um estudo recente da OCDE veio revelar-nos exactamente o contrário. Hoje em dia, para um PIB mundial igual a 100, os EUA valem 23, a zona euro 17 e a China também 17. E, feita uma projecção até 2030, para o mesmo PIB mundial de 100, a zona euro cai para 12, os EUA caem para 18 e a China sobe para 28. Ou seja: os chineses preparam-se para dominar o mundo e a Europa vai assobiando para o ar.

Que dizem a isto os alemães?"


Fonte - DE   Daniel Amaral



23 setembro 2012

A Grande Conspiração


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"Há quase um ano que o venho escrevendo aqui: o programa económico deste Governo não se limita a tentar endireitar as contas públicas à custa de sacrifícios cuja insensibilidade e ineficácia são de bradar aos céus. Há também uma agenda escondida, que envolve uma vingança sobre a história, uma desforra de classe, quase uma alteração dos valores cívicos em que a Europa se funda.  A razão pela qual nada bate certo na política económica do Governo PSD (onde o CDS faz de ingénuo útil) não tem que ver apenas com ignorância, impreparação  e incompetência - o que já seria suficiente, por sí só. A razão  pela qual todos temos como um trágico desastre aquilo que o Governo  persiste  em classificar  como um sucesso, é que estamos a falar de coisas diferentes, de objectivos finais diferentes. Os portugueses - que aguentam tudo estoicamente há um ano, sem porem o dinheiro a salvo no estrangeiro  ou desatarem  a partir montras, como fazem os gregos - confiavam que, atravessado o Inferno, limpo o estado das suas célebres  "gorduras" e de todos os que , acima e abaixo, dele abusaram anos a fio,  poderiam ter de volta  um dia a economia, os empregos, as suas vidas. Porém, o objectivo de Passos Coelho e do seu quinteto de terroristas económicos (Gaspar, Moedas, António Borges, Braga de Macedo e Ferraz da Costa) é outro bem diferente: eles querem mudar o paradigma económico, mesmo que para tal tenham de destruir o país, como, aliás, estão a fazer. Fiel aos ensinamentos dos seus profetas americanos, esta extrema-direita económica que nos caiu em cima acredita que o Estado deve deixar de gastar recursos quem não garante retorno  e concentrar-se apenas em apoiar , ajudar, estimular e dar livre freio aos poucos negócios escolhidos  - que, assim, não poderão deixar de prosperar. Aquilo a que chamam "processo de ajustamento" da nossa economia é um caminho deliberado de abandono do que acham que não tem préstimo ou futuro: o emprego pago com salários decentes, os direitos do trabalho, as pequenas empresas que não exportam, a própria classe média que vive do trabalho. No fim do "ajustamento", ficarão apenas as grandes empresas financiadas por baixos salários ou instaladas nos antigos monopólios públicos com lucros garantidos, e uma multidão de emigrados ou de desempregado, prontos a trabalhar por qualquer preço e em quaisquer condições. Esse será o seu "sucesso" final."

 

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Miguel Sousa Tavares - Jornal Expresso de 22-Set-2012




12 junho 2012

Situacionismo



A questão do situacionismo não é de conspiração, é de respiração.

E, nalguns casos, de respiração assistida.

 

 

O Prós e Contras da RTP tornou-se há muito tempo o paradigma do nome desta série: situacionismo. Foi, nos últimos tempos do "socratismo", a voz do regime; é a mesma voz do regime no ano de "passismo". É isso que é a RTP, a voz do dono.

 

Começa sempre, no elemento mais importante num programa como este, na escolha das pessoas a quem se dá o podium. Sempre que se trata de um tema no âmago do poder, o poder está representado pelos seus melhores defensores, a crítica ao poder por moderadíssimos e débeis representantes, com críticas secundárias e circunstanciais, e isto é nos melhores dias. Em muitos casos, o programa é Prós e Prós.

 

O programa de hoje é um exemplo perfeito, onde, sem contraditório, se ouviu uma série de porta-vozes da política actual, de António Borges a António Vitorino. Sim, de António Borges, a quem não foi perguntado nada de incómodo, a António Vitorino que representa uma das vozes "responsáveis" do PS que em todos os momentos cobre sempre o governo em funções. Há cinco, quatro, três, dois anos, ou seja, em termos históricos, HOJE, exactamente com a mesma voz grave e responsável, António Borges defendia a política suicidária do sistema financeiro que conduziu ao desastre cujos custos todos pagamos, e Vitorino não dizia nada de incómodo para Sócrates, a quem deu a caução completa e total. Hoje, estão a fazer o mesmo como ideólogos e parte activa do actual governo, e se as coisas não correrem como dizem que vão correr, haverá sempre um álibi europeu para os justificar.

 

Eles estão lá sempre, e no entanto, nunca lá estão. Não é por acaso que este tipo de vozes é a preferida do Prós e Contras.

 

 

Fonte - Abrupto






16 maio 2012

"Creio"





"Creio"/Natália Correia/Jorge Fernando/Ana Moura.


Saúde do planeta Terra!


Organização ambientalista lançou hoje relatório sobre o estado de saúde do planeta e quer inverter tendências negativas.

A população mundial está a consumir uma Terra e meia e a tendência é para que em 2030 essa voragem cresça para dois planetas. O aumento do número de pessoas e o consumo excesso dos mais ricos ditam este cenário futuro. "Insustentável", diz a WWF (Fundo Mundial para a Natureza) que hoje divulgou o seu Relatório Planeta Vivo 2012. Ali a organização ambientalista internacional faz o ponto da situação e propõe uma série de medidas para travar este caminho de consumo insustentável dos recursos do planeta.


Segundo o documento, a saúde global dos ecossistemas caiu 30% desde 1970, atingindo esse declínio 60% nas regiões dos trópicos. Em contrapartida, a pegada ecológica dos seres humanos está a aumentar. Nesta altura, o planeta necessita de ano e meio para se restabelecer de um ano de exploração e consumo dos recursos pro parte dos seres humanos. Nesta contabilidade, os portugueses estão em 39º lugar, sem dar mostras de abrandamento dos seus hábitos de consumo energéticos, de água ou de produção alimentar.


Racionalizar a produção energética, tornando-a mais verde, ou a produção alimentar e a distribuição de água, eliminando desperdícios são caminhos apontados pela WWF, que antecipou a divulgação do seu relatório, a tempo de influenciar a Cimeira do Rio+20, que se realiza em Junho.


Origem do texto -   Diario Noticias

25 abril 2012

25 Abril !





Esta é a madrugada que eu esperava

O dia inicial inteiro e limpo

Onde emergimos da noite e do silêncio

E livres habitamos a substância do tempo

 

Sophia de Mello Breyner Andresen




 

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23 fevereiro 2012

Zeca Afonso





Excerto de artigo de Viriato Teles escrito na Revista "Sete" de 25 Fevereiro de 1987.

José Afonso - 02 Agosto 1929  /  23 Fevereiro 1987



26 janeiro 2012

Carta aberta a Nuno Crato



Demasiado falado, o 70.º aniversário de Eusébio. Para contrabalançar a tendência popularucha vou evocar aqui o professor Silva Ferreira, ilustre pedagogo, e uma data que é momento histórico: o 23 de julho de 1966. Nesse sábado, o insigne Silva Ferreira ensinou aos portugueses o que é vontade e pertinácia - afinal valores que ajudam mais os portugueses, sobretudo agora, do que a futilidade dos futebóis. Nessa tarde, um grupo de sábios portugueses defrontava colegas da Coreia do Norte, em Inglaterra. Discutiam um problema que apaixonava o mundo - quantas vezes era possível meter uma esfera de couro num cabaz pousado em relva? - e os asiáticos, bebendo na tradição milenar do yin yang, aos 25 minutos já tinham metido três. O grave foi ver como os portugueses desesperaram. Todos? Não: o professor Silva Ferreira pegou na esfera (viu-a armilar, como a da pátria) e, sozinho, levou-a, uma, duas, três e quatro vezes ao destino. Os colegas de apáticos viraram eufóricos, quiseram aplaudi-lo mas ele enxotou-os: a hora era de lutar. Só à 4.ª esfera aceitou abraços e ainda ofertou uma 5.ª a um colega. Um jornal inglês titulou: "Master-mind Eusebio". Silva Ferreira tinha o mesmo nome do tal futebolista, mas o jornal ao chamar-lhe "Espírito Superior" não estava a falar de pés. Nuno Crato é o 17.º ministro da Educação a quem eu proponho que o vídeo desse Portugal-Coreia do Norte passe nas escolas para formar o carácter dos portugueses.


Ferreira Fernandes no DN 


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16 dezembro 2011

O Artesão das Palavras!



Ele sempre fugiu da televisão como o Diabo da cruz. Nos idos de 90, não resistiu a fazer uma perninha na Noite da Má Língua, mas, mesmo ali, demonstrou várias vezes a sua incomodidade na relação com a câmara, reafirmada, de resto, em entrevistas que deu posteriormente. O seu meio é a rádio e é lá que há anos Fernando Alves nos brinda diariamente com a sua arte. A voz grave e ritmada é apenas o veículo que lhe transporta a alma das palavras. Com Fernando Alves, as palavras não são como as cerejas. Porque as cerejas vêm sempre aos pares. Com Fernando Alves, um profeta das palavras, cada uma é escolhida criteriosamente. Nenhuma lhe sai da boca ao acaso. Os seus Sinais são, há muitos anos, um culto imprescindível todas as manhãs. Como lavar os dentes ou escolher roupa lavada. As Histórias da Rádio, com que a TSF nos brinda agora à tarde, são pequenas pérolas de reportagem. Histórias do dia-a- -dia, daquelas que não são notícia mas que revelam um afecto, um sonho, uma ideia. É isso, aliás, a rádio. É essa a sua magia, o seu encanto. Fernando Alves é a rádio. Viva. Onde o culto da palavra se cruza com o português bem falado e com a magia das coisas simples.

Nuno Azinheira - Diario Noticias . Daqui 


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19 novembro 2011

Nunca vi Ministros tão Arrogantes, Burros e Teimosos




Embora gostasse que estes ministros estivessem certos, estou convencido que daqui a um ano estaremos numa situação económica pior que a dos nossos dias. Com a agravante de nesta caminhada de "certezas", além de nos terem subtraído os subsídios de férias e natal, destruíram o serviço nacional de saúde, deram cabo da rede de transportes públicos e privatizaram bens essenciais como a água.

A última descoberta destas "sapiências" foi acabar com o desconto de 50% para os passes das crianças, jovens e terceira idade. É uma medida de tal forma estúpida, que em termos práticos, acredito que o seu efeito deverá valer zero para as nossas finanças.

A única coisa que vão conseguir é limitar ainda mais as pessoas de idade, fazendo com que fiquem mais tempos sozinhas em casa, deixando de visitar amigos e familiares, porque para quem tem reformas baixas, uma coisa é pagar vinte cinco euros de passe, outra bem diferente é cinquenta.

É uma pena sermos governados por gente tão arrogante, burra e teimosa, por mais diplomas que tenham pendurados nas paredes.

A fotografia é de Robert Doisneau.

              
"Post"  copiado daqui :    "Largo da memória" , da autoria de Luís Eme

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15 novembro 2011

Golegã



Por ocasião do tradicional evento que se realiza anualmente na Golegã,  fazia notar pessoa amiga,  há dias , que esta vila ribatejana não se resumia apenas  à celebração da  Feira Nacional do Cavalo. De facto assim é!  A Golegã tem no seu património  potencialidades enormes que permite a oferecer  aos seus visitantes uma visita acolhedora e simultâneamente riquíssima em termos culturais! Como é o caso da   Casa Museu Carlos Relvas  . 

Foto de Alexandre Pomar  

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31 outubro 2011

Um dia, isto tinha de acontecer


Existe uma geração à rasca?

Existe mais do que uma! Certamente!

Está à rasca a geração dos pais que educaram os seus meninos numa abastança caprichosa, protegendo-os de dificuldades e escondendo-lhes as agruras da vida.

Está à rasca a geração dos filhos que nunca foram ensinados a lidar com frustrações.

A ironia de tudo isto é que os jovens que agora se dizem (e também estão) à rasca são os que mais tiveram tudo.

Nunca nenhuma geração foi, como esta, tão privilegiada na sua infância e na sua adolescência. E nunca a sociedade exigiu tão pouco aos seus jovens como lhes tem sido exigido nos últimos anos.

Deslumbradas com a melhoria significativa das condições de vida, a minha geração e as seguintes (actualmente entre os 30 e os 50 anos) vingaram-se das dificuldades em que foram criadas, no antes ou no pós 1974, e quiseram dar aos seus filhos o melhor.

Ansiosos por sublimar as suas próprias frustrações, os pais investiram nos seus descendentes: proporcionaram-lhes os estudos que fazem deles a geração mais qualificada de sempre (já lá vamos...), mas também lhes deram uma vida desafogada, mimos e mordomias, entradas nos locais de diversão, cartas de condução e 1.º automóvel, depósitos de combustível cheios, dinheiro no bolso para que nada lhes faltasse. Mesmo quando as expectativas de primeiro emprego saíram goradas, a família continuou presente, a garantir aos filhos cama, mesa e roupa lavada.

Durante anos, acreditaram estes pais e estas mães estar a fazer o melhor; o dinheiro ia chegando para comprar (quase) tudo, quantas vezes em substituição de princípios e de uma educação para a qual não havia tempo, já que ele era todo para o trabalho, garante do ordenado com que se compra (quase) tudo. E éramos (quase) todos felizes.

Depois, veio a crise, o aumento do custo de vida, o desemprego, ... A vaquinha emagreceu, feneceu, secou.

Foi então que os pais ficaram à rasca.

Os pais à rasca não vão a um concerto, mas os seus rebentos enchem Pavilhões Atlânticos e festivais de música e bares e discotecas onde não se entra à borla nem se consome fiado.

Os pais à rasca deixaram de ir ao restaurante, para poderem continuar a pagar restaurante aos filhos, num país onde uma festa de aniversário de adolescente que se preza é no restaurante e vedada a pais.

São pais que contam os cêntimos para pagar à rasca as contas da água e da luz e do resto, e que abdicam dos seus pequenos prazeres para que os filhos não prescindam da internet de banda larga a alta velocidade, nem dos qualquercoisaphones ou pads, sempre de última geração.

São estes pais mesmo à rasca, que já não aguentam, que começam a ter de dizer "não". É um "não" que nunca ensinaram os filhos a ouvir, e que por isso eles não suportam, nem compreendem, porque eles têm direitos, porque eles têm necessidades, porque eles têm expectativas, porque lhes disseram que eles são muito bons e eles querem, e querem, querem o que já ninguém lhes pode dar!

A sociedade colhe assim hoje os frutos do que semeou durante pelo menos duas décadas.

Eis agora uma geração de pais impotentes e frustrados.

Eis agora uma geração jovem altamente qualificada, que andou muito por escolas e universidades mas que estudou pouco e que aprendeu e sabe na proporção do que estudou. Uma geração que colecciona diplomas com que o país lhes alimenta o ego insuflado, mas que são uma ilusão, pois correspondem a pouco conhecimento teórico e a duvidosa capacidade operacional.

Eis uma geração que vai a toda a parte, mas que não sabe estar em sítio nenhum. Uma geração que tem acesso a informação sem que isso signifique que é informada; uma geração dotada de trôpegas competências de leitura e interpretação da realidade em que se insere.

Eis uma geração habituada a comunicar por abreviaturas e frustrada por não poder abreviar do mesmo modo o caminho para o sucesso. Uma geração que deseja saltar as etapas da ascensão social à mesma velocidade que queimou etapas de crescimento. Uma geração que distingue mal a diferença entre emprego e trabalho, ambicionando mais aquele do que este, num tempo em que nem um nem outro abundam.

Eis uma geração que, de repente, se apercebeu que não manda no mundo como mandou nos pais e que agora quer ditar regras à sociedade como as foi ditando à escola, alarvemente e sem maneiras.

Eis uma geração tão habituada ao muito e ao supérfluo que o pouco não lhe chega e o acessório se lhe tornou indispensável.

Eis uma geração consumista, insaciável e completamente desorientada.

Eis uma geração preparadinha para ser arrastada, para servir de montada a quem é exímio na arte de cavalgar demagogicamente sobre o desespero alheio.

Há talento e cultura e capacidade e competência e solidariedade e inteligência nesta geração?

Claro que há. Conheço uns bons e valentes punhados de exemplos!

Os jovens que detêm estas capacidades-características não encaixam no retrato colectivo, pouco se identificam com os seus contemporâneos, e nem são esses que se queixam assim (embora estejam à rasca, como todos nós).

Chego a ter a impressão de que, se alguns jovens mais inflamados pudessem, atirariam ao tapete os seus contemporâneos que trabalham bem, os que são empreendedores, os que conseguem bons resultados académicos, porque, que inveja! que chatice!, são betinhos, cromos que só estorvam os outros (como se viu no último Prós e Contras) e, oh, injustiça!, já estão a ser capazes de abarbatar bons ordenados e a subir na vida.

E nós, os mais velhos, estaremos em vias de ser caçados à entrada dos nossos locais de trabalho, para deixarmos livres os invejados lugares a que alguns acham ter direito e que pelos vistos - e a acreditar no que ultimamente ouvimos de algumas almas - ocupamos injusta, imerecida e indevidamente?!!!

Novos e velhos, todos estamos à rasca.

Apesar do tom desta minha prosa, o que eu tenho mesmo é pena destes jovens.

Tudo o que atrás escrevi serve apenas para demonstrar a minha firme convicção de que a culpa não é deles.

A culpa de tudo isto é nossa, que não soubemos formar nem educar, nem fazer melhor, mas é uma culpa que morre solteira, porque é de todos, e a sociedade não consegue, não quer, não pode assumi-la.

Curiosamente, não é desta culpa maior que os jovens agora nos acusam.

Haverá mais triste prova do nosso falhanço?



Mia Couto

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