29 julho 2014

Africa, o novo Celeiro do Mundo!





Secas prolongadas, cheias e enxurradas, subnutrição extrema, guerras, migrações forçadas de populações e uma fraquíssima produtividade aliada a métodos de cultivo rudimentares: esta imagem da agricultura em vários países africanos poderá estar já no passado. E há nomes sonantes a trabalhar para a mudar, como Bill Gates e a Fundação Rockefeller, Graça Machel, Bob Geldof ou o antigo secretário-geral das Nações Unidas, Kofi Annan.

 

Machel, Geldof e Annan pertencem ao Africa Progress Panel (APP), fórum de dez personalidades de sectores privado e público que defendem o investimento equilibrado na agricultura em África aliado ao crescimento económico sustentado. No mês passado, a APP recomendou aos líderes africanos o investimento de 10% dos seus PIB na agricultura, de modo a que os países africanos possam beneficiar do crescimento populacional no mundo. Estima-se que dois terços dos africanos dependam da agricultura para viver, daí que “investir na agricultura é uma estratégia essencial para reduzir a pobreza e a desigualdade social”, diz o relatório.

 

“Se queremos alargar os recentes sucessos económicos do continente a uma maioria de habitantes de África, não podemos continuar a negligenciar as comunidades que dependem da agricultura e das pescas”, disse Kofi Annan. “A população mundial em crescimento precisa de alimento e África, o nosso continente, está numa boa posição para o providenciar. Temos recursos suficientes para alimentar não só a nós mesmos, mas outras regiões também. Temos de aproveitar esta oportunidade.”

 

Esta “revolução verde” já está em curso em vários países tornando África potencialmente no novo celeiro do mundo. Na Nigéria, Etiópia e Ruanda, esforços governamentais para desenvolver o sector agrícola estão a colher frutos nas economias nacionais. Num artigo de Maio da revista Forbes, o antigo Presidente da Nigéria, Olusegun Obasanjo, escrevia que a agricultura estava prestes a tornar-se no “novo petróleo” do país, ainda que o investimento estivesse nuns meros 1,6% do PIB. Com 84 milhões de hectares de terra arável, dois dos maiores rios de África e uma mão-de-obra jovem, calcula-se que a Nigéria seja auto-suficiente em arroz em 2015.

 

A crise do preço dos alimentos em finais de 2007 levou vários países a repensar a estratégia de investimento no sector agrícola. “Até então, a trajectória era a de uma redução contínua dos recursos de apoio ao sector agrícola, quer públicos, nacionais, com origem nos impostos, quer de origem externa por parte dos doadores, e essa redução culminou, nos primeiros anos do novo milénio, no seu ponto mais baixo”, explica à Revista 2, Lídia Cabral, investigadora especialista em cooperação para o desenvolvimento, associada ao Institute of Development Studies (IDS), baseado na Universidade de Sussex, no Reino Unido. A investigadora colabora igualmente com a Future of Agricultures, consórcio que reúne instituições de investigação de vários países africanos e britânicos, como fórum de debate sobre o futuro da agricultura em África.


Explica Lídia Cabral que, por causa da crise do preço dos alimentos, “houve uma viragem no discurso governamental e dos doadores em relação ao sector” e desenvolveram-se iniciativas que dedicaram maior atenção à agricultura. Entre outras, está a Food Security Initiative, liderada pela FAO e pelos países do G8 no encontro de 2009, em Aquila, Itália, em que os líderes mundiais se comprometeram a investir 20 mil milhões de dólares em três anos em agricultura sustentável para combater a pobreza e a fome. Seguiu-se a Feed the Future, iniciativa lançada pela administração Obama em 2010, com o apoio da Agência Norte-Americana para o Desenvolvimento 

 






Não é por acaso que 2014 é o ano da Agricultura e Segurança Alimentar para a União Africana: o Fórum para a Investigação em Agricultura em África (FARA) acabou de receber em Abril um reforço de 19 milhões de dólares da Comissão Europeia, fazendo um total de 53 milhões o investimento de doadores europeus em apoio ao desenvolvimento agrícola na África subsariana. O que aproxima todos estes projectos é, explica Lídia Cabral, “o reforço do investimento e o aumento das políticas públicas para o sector agrícola, estabelecendo-se compromissos, quer em relação ao crescimento, quer ao investimento da despesa pública no sector, traçando metas específicas e objectivos claros”.

 

Apesar de as iniciativas se sucederem, a crise mundial de 2008 veio alterar a forma como os governos passaram a ver o investimento. A crise “significou menos recursos disponíveis para a cooperação”, explica a investigadora. A alternativa “foi chamar o sector privado a intervir”, repensando o “papel que este poderia jogar no desenvolvimento do sector agrícola em África”. É nesta altura que, além dos investidores privados e daqueles considerados doadores tradicionais (Banco Mundial, FMI, países da OCDE), entra em cena a filantropia, com organizações como a Fundação Bill e Melinda Gates que, junto com a Fundação Rockefeller, criou a AGRA — Alliance for a Green Revolution in Africa, recuperando o espírito da “Revolução Verde” lançada nos anos 1960 pelas fundações Rockefeller e Ford em países como o México, a Índia, Paquistão e Filipinas, através da plantação de sementes de alto rendimento.

 

Estes objectivos visam alterar profundamente a paisagem agrícola africana, promovendo melhores infra-estruturas para facilitar a chegada dos produtos aos mercados, proporcionar o acesso a seguros de protecção das colheitas, protegendo-as de calamidades diversas, investindo na importação de fertilizantes e sementes de melhor qualidade, apoiar agricultores mais carenciados, e, acrescentava Olusegun Obasanjo na Forbes, aumentar as taxas importadoras para impulsionar a produção interna. Esta é também a teoria de Gordon Conway, professor no Imperial College, em Londres, e autor de One Billion Hungry: Can We Feed the World? (traduzido seria “Mil milhões com fome: Podemos alimentar o mundo”) Para Conway, que lidera o consórcio Agriculture for Impact (e que conta com o apoio de Kofi Annan e de Bill Gates), a solução está na concessão de microcréditos a pequenos agricultores e macro-investimento em novas tecnologias.

 

A “revolução” está, sobretudo, nas sementes e na sua qualidade. Estamos a falar de arroz, milho, trigo, mandioca e batata doce. Melhorar o sistema das sementes é uma das prioridades da AGRA, que quer reproduzir em países africanos o que já sucede, por exemplo, com culturas nos Estados Unidos. Durante séculos, o sistema de plantações em África foi feito com sementes que se guardavam de um ano para o outro, partilhadas em comunidade. Mas a utilização de sementes de melhor qualidade, transplantadas de outras regiões do planeta, onde já se tornaram mais estáveis e resistentes a pragas, doenças ou seca, é um dos objectivos para melhorar a produtividade das culturas.

 

A batata doce alaranjada fortificada com beta-caroteno é um exemplo. Estudos do British Journal of Nutrition, de 2011, mostram que o consumo regular de batata doce alaranjada em mulheres e crianças em Moçambique (ao contrário da batata doce produzida na região, de polpa branca ou amarela) elevou os níveis de vitamina A, cujo défice está associado à malnutrição e à cegueira infantil. O Prémio Champalimaud de Visão (no valor de um milhão de euros) foi atribuído em 2009 à organização Helen Keller International. Esta organização esteve a trabalhar em Moçambique incentivando o consumo de batata doce de polpa alaranjada e, desde o final dos anos 1990, foi substituindo a produção agrícola da batata doce de polpa branca com o apoio do Centro Internacional da Batata e do Instituto de Investigação Agrária de Moçambique.

 

Apesar de o investimento inicial de cerca de 150 milhões de dólares em vários países africanos, a AGRA não tem sido isenta de críticas. Em Julho de 2013, na cimeira do G8 em Londres, cerca de 60 grupos da sociedade civil africana protestaram contra as políticas da AGRA, sobretudo aquelas que usam culturas geneticamente modificadas (chamados GMO), favorecendo megacorporações como a Monsanto, que recentemente reivindicou o “direito de propriedade” de uma série de sementes de alto rendimento: “A propriedade privada de conhecimento e recursos materiais (por exemplo, de sementes e de material genético) significa o fluxo de capitais para fora de África directamente para as mãos de empresas multinacionais”, explicou o grupo, num relatório apresentado pela IRIN, serviço de notícias apoiado pelas Nações Unidas. Uma das campanhas anti-Agra, o Agra Watch, dizia inclusive que a fundação de Bill Gates “se aproveita das crises mundiais de alimentos e de alterações climáticas para promover agricultura industrial e de alta tecnologia, direccionada para o mercado, gerando lucro para corporações, destruindo o ambiente e empobrecendo os agricultores. Estes programas são uma forma de ‘filantropicalismo’.”

 

Lídia Cabral reconhece que “a produtividade do sector agrícola africano continua muito baixa” e para que ela aumente “é preciso investir em tecnologia, em investigação e formação, facilitar o acesso ao mercado”. Mas o debate sobre a disponibilidade de alimentos também é acompanhado pelo “papel da agricultura na produção de bioenergia”, nomeadamente de culturas como soja para produção de biocombustíveis e não para a alimentação das populações. 

 







A entrada destas megacorporações na agricultura africana tem suscitado debates sobre questões problemáticas, como o land grabbing, a corrida às terras, que tem revelado também os novos actores no terreno, como a China, a Índia e o Brasil (os BRIC). Mas Lídia Cabral destaca igualmente um “debate que está longe de ser resolvido” em relação às “preocupações face ao tipo de tecnologia desenvolvida pela Gates e Rockefeller, e à promoção da utilização de culturas e sementes geneticamente modificadas: os GMOs são importantes para garantir o aumento da produtividade, mas há quem diga que são prejudiciais para os produtores e, potencialmente, para a saúde”, continua.

 

Esta investigadora — que está a desenvolver o seu doutoramento sobre cooperação para o desenvolvimento do Brasil em África no sector agrícola — trabalhou em Moçambique entre 1999-2004, como técnica assistente do Ministério de Planeamento e Finanças, e dá este país como exemplo do que se passou noutros países africanos.

 

Após a guerra civil, Moçambique foi “invadido” por agências de cooperação governamentais e ONG, em muitos casos, “importantes para a reconstrução no pós-guerra, para restabelecer instituições e de apoio às populações”, explica Lídia Cabral. Mas isso fez também com que o Governo tivesse “pouco controlo sobre os recursos geridos directamente pelas ONG e dos que eram atribuídos pelos doadores tradicionais”. Houve um progressivo “desmantelar do papel do Estado” em vários sectores, nomeadamente, no agrícola, e a entrada de capitais privados. Essa diminuição do papel do Estado levou a que “mais tarde se sentisse a necessidade de voltar a reconstruir algumas instituições, especialmente no campo da pesquisa da agro-pecuária, e também na criação de serviços de apoio aos agricultores”, conclui a investigadora.

 

É este o exemplo de Sónia Ataíde, investigadora moçambicana, especialista em agro-pecuária. “Depois da guerra civil, para fazer o repovoamento pecuário em Moçambique, tivemos de importar um grande número de bovinos similares aos nossos em termos de raças, de adaptação e vindos de regiões agro-ecológicas parecidas. Seleccionámos a África do Sul e a Suazilândia para importar estes animais”, conta à Revista 2. A investigadora está agora a desenvolver um doutoramento em Veterinária e melhoramento animal com uma bolsa do AWARD – African Women in Agriculture Research and Development, fundo de apoio à investigação agrária (que inclui especialistas em agro-pecuária, agrónomos, biólogos, veterinários) financiado pela Bill and Melinda Gates. Não é por acaso que o AWARD apoia mulheres: tal como “dentro da política moçambicana a questão do género é prioridade e o país tem apostado nessa política, por causa da falta de acesso das mulheres à educação e a meios de vida”, explica Ataíde, também para a FAO (e para a fundação Gates) o papel da mulher no sector agrícola tem de ser reconhecido, compensado e incentivado. De acordo com a FAO, na África subsariana a mulher contribui com mais de 50% do trabalho em propriedades rurais e mais de 60% das mulheres empregadas na região trabalha na agricultura.

 

Além do papel da mulher na investigação agro-alimentar, Moçambique tem sido também um “estudo de caso”, exemplo do que se tem passado a nível de investimento, corrida à concessão de terras e aumento da produtividade agrícola. Um caso bicudo tem sido o ProSavana, investimento do Brasil, Japão e do Governo moçambicano no corredor de Nacala, cobrindo três distritos no Norte de Moçambique, numa área de 14 milhões de hectares. A intenção será plantar soja, monocultura, portanto, para produção de energia. Investimentos como o ProSavana têm gerado polémica, tanto em Moçambique como no Brasil. A concessão de vários hectares de terra a estrangeiros levanta questões porque “a terra não estava necessariamente desocupada: as pessoas e as comunidades em Moçambique fazem um uso variado da terra, não só para produção agrícola mas também para outros fins”, assegura Lídia Cabral.

 

A terra já foi alocada mas a exploração ainda não começou. A sociedade civil moçambicana tem feito uma série de abaixo-assinados, em busca de maior esclarecimento. Diz Sónia Ataíde que, no fundo, “falta clareza: o que é o ProSavana e o que vai fazer? Falam-se de vários distritos mas, concretamente, em termos de terra, o que significa?” Em relação ao futuro dos camponeses também falta informação: “Os camponeses que sempre estiveram a trabalhar nessas terras vão deixar de produzir agricultura diversificada para passar a cultivar monocultura? Estas empresas vêm para cultivar soja, algodão? E se assim for como é que o camponês vai deixar de produzir o seu milho, o seu feijão, a mandioca?”, pergunta a investigadora moçambicana. Este é também o receio de Lídia Cabral relativamente ao investimento corporativo em áreas vastas de África: “Que estes programas sejam veículos de entrada de grandes interesses corporativos que ponham em causa a questão do acesso à terra, questões ambientais, de justiça social e de distribuição de rendimentos.”


Algumas opiniões vão no sentido de que este investimento na agricultura é a nova “corrida ao ouro” em África: “Há um corporate takover na agricultura africana. Mas há algumas iniciativas positivas. A dúvida é: de que maneira África está ou não a beneficiar desta corrida? E se sim, quem em África? A preocupação é com as comunidades locais que vivem em condições de maior vulnerabilidade, até que ponto eles vão beneficiar deste investimento”, conclui Lídia Cabral.

 

 


Fonte -   Jornal Público     Jornalista - Raquel Ribeiro




24 maio 2014

Solidariedade!





Atriz Salma Hayek aderiu ao movimento 'Bring back our girls', para apoiar as jovens sequestradas na Nigéria .

 

 

 

Foto © REUTERS/Yves Herman

 







11 abril 2014

Aquecimento Global!




O aquecimento global não está a ser levado a sério e o tempo está a esgotar-se para evitar consequências como a seca e a inundação de cidades, disse na quinta-feira o presidente do Banco Mundial.

 

 

"Estamos a chegar rapidamente a um ponto em que não vamos ser capazes de manter o aquecimento global abaixo dos dois graus Celsius ", disse Jim Yong Kim no início da reunião de primavera do Banco Mundial e do FMI, em Washington.

 

O presidente do Banco Mundial defendeu que "o aquecimento de dois graus Celsius vai ter grandes implicações", indicando que "40% das terras aráveis de África desaparecerão e a cidade de Banguecoque poderá ficar submersa".

 

O Banco Mundial está a envidar esforços em várias áreas para combater as alterações climáticas, nomeadamente no preço do carbono, no financiamento da energia renovável, e na pressão exercida junto dos Governos para removerem os subsídios à energia.

 

No entanto, Jim Yong Kim receia que muitos tenham deixado de pensar nas alterações climáticas como um problema urgente.

"Daqui a 10 ou 15 anos, quando rebentarem batalhas devido à falta de acesso a água e comida, estaremos todos aqui sentados a pensar: Meu Deus, por que não fizemos mais naquela altura?", desabafou, confessando-se "extremamente preocupado", por "o mundo ainda não estar a levar o assunto suficientemente a sério". 

 

 

 

Fonte -  DN    

 




27 fevereiro 2014

O Sol





O Sol e uma erupção de intensidade média.








  • O Sol e uma erupção de intensidade média

20 janeiro 2014

Assim vai o mundo !!!


Metade da riqueza mundial nas mãos de 1% da população

 

 

Cerca de metade da riqueza mundial é actualmente detida por 1% da população, denunciou hoje a ONG Oxfam, adiantando que as desigualdades económicas aumentaram rapidamente na maioria dos países desde o início da crise.
 

No relatório "Governar para as elites: sequestro democrático e desigualdade económica", a Oxfam conclui que a concentração de 46% da riqueza em mãos de uma minoria supõe um nível de desigualdade "sem precedentes" que ameaça "perpetuar as diferenças entre ricos e pobres até as tornar irreversíveis".

A Oxfam refere ainda que os cerca de 1% dos mais ricos aumentaram os rendimentos em 24 dos 26 países para os quais os dados estão disponíveis entre 1980 e 2012 e que sete em cada dez pessoas vivem em países onde a desigualdade económica aumentou nos últimos 30 anos.


Assim, os cerca de 1% dos mais ricos na China, em Portugal e nos Estados Unidos mais do que duplicaram os rendimentos nacionais desde 1980 e mesmo nos países com a reputação de serem mais igualitários como a Suécia e a Noruega, a riqueza dos 1% mais ricos aumentou 50% no período em referência.


O relatório da Oxfam sublinha que a metade mais pobre da população mundial possui a mesma riqueza que as 85 pessoas mais ricas do mundo.


A ONG calcula ainda que há 18,5 biliões de dólares (13,6 biliões de euros) não registados e em países terceiros de baixa tributação, pelo que na realidade a concentração de riqueza é muito maior.

Segundo os dados da Oxfam, 210 pessoas juntaram-se em 2013 ao clube dos multimilionários cuja fortuna é superior aos mil milhões de dólares, formado por um conjunto de 1.426 pessoas que concentram uma riqueza 5,4 biliões de dólares (quase quatro biliões de euros).

Para a Oxfam, este aumento das desigualdades deve-se em grande parte à desregulamentação financeira, aos sistemas fiscais e às regras que facilitam a evasão fiscal.

A organização também denuncia as medidas de austeridade, as políticas desfavoráveis para as mulheres e a confiscação das receitas provenientes do petróleo e da extração de minérios.

Por outro lado, a ONG associa as desigualdades económicas extremas e a confiscação do poder político por uma elite rica, que governa para servir os seus próprios interesses.

"Sem uma verdadeira ação para reduzir estas desigualdades, os privilégios e as desvantagens vão-se transmitir de geração em geração, como no antigo Regime. Viveremos então num mundo onde a igualdade de oportunidades será apenas uma miragem", conclui a Oxfam.

Aos participantes de Davos, a Oxfam apela para um seja acordado um “compromisso” para não se utilizarem paraísos fiscais, não trocar dinheiro por favores políticos e exigir aos governos para que garantam a saúde, a educação e a proteção social dos cidadãos com a arrecadação de receitas fiscais.

O relatório da Oxfam surge na semana em que se realiza o Fórum Económico Mundial (WEF) de Davos na Suíça, uma reunião durante a qual se analisarão os problemas emergentes do mundo e onde se tentarão encontrar soluções para as crescentes situações de desigualdade.

O WEF, que se reúne a partir de quarta-feira em Davos, na Suíça, identificou as desigualdades económicas como um importante risco para o progresso humano.

 

 

Fonte -  Sol



 
 

21 outubro 2013

"Relógio Biológico" do ADN




Cientistas norte-americanos descobriram um mecanismo no ADN que funciona como uma espécie de "relógio biológico" que mede a idade dos tecidos e dos órgãos e permite entender o processo de envelhecimento,  revela  a revista cientifica  "Genome Biology".

 

Segundo a   investigação  , a cargo de cientistas da Universidade da Califórnia, Los Angeles, o relógio mostra que ainda qu emuitos tecidos saudáveis envelheçam ao mesmo ritmo que o conjunto do organismo, alguns fazem-no mais rápido e outros mais lentamente.

 

Os Investigadores acreditam que conhecer este funcionamento ajudará a entender o processo de envelhecimento e também desenvolver fármacos que permitam controlá-lo.

 

"Seria muito emocionante desenvolver intervenções terapêuticas para reajustar o relógio e, com otimismo, matermo-nos jovens", disse Steve Horvath, professor de genética da Universidade da Califórnia e responsável pela investigação.

 

No estudo, a equipa de investigadores avaliou o ADN de quase 8.000 amostras de 51 tipos de tecidos e células de corpo, focando-se particularmente como a metilação, um processo natural que modifica quimicamente o ADN, varia com a idade.

 

O relógio biológico acelera no sprimeiros anos de vida até aos 20 anos, depois reduz a velocidade e mantém o ritmo contínuo, segundo a investigação, que indica que ainda se desconhece se estas mudanças no ADN causam o envelhecimento.

 

Os dados do relógio biológico revelam que o stecidos saudáveis do coração revela  uma idade biológica de cerca de nove anos mais jovens do que o pensado, enquanto os tecidos mamários femininos envelhecem mais rapido que o resto do corpo.

 

"Os tecidos mamários femininos, incluindo os saudáveis, parecem mais velhos que outros do corpo humano.  É interessante tendo em conta que o cancro da mama é o mais comum nas mulheres. Além disso, a idade é um dos factores de risco do cancro, por isso, este tipo de resultados, poderia explicar porque é que o cancro da mama é tão comum" acrescentou Horvath.



Fonte - 
 SIC Noticias 

 



30 setembro 2013

15 setembro 2013

Vida nas Luas de Júpiter e Saturno?!??!





A astrobióloga portuguesa Zita Martins, do  Imperial College of London, co-autora de um artigo científico publicado  hoje, acredita que há condições para existir vida nas luas de Júpiter e  Saturno, pela importância do gelo na criação de aminoácidos.



Toda a gente fala de Marte, mas eu acho muito mais interessantes as  luas de Júpiter e Saturno, porque têm as condições ideais para a existência  de vida", afirmou à agência Lusa a investigadora do Imperial College of  London, que tem o artigo publicado hoje, na revista Nature Geoscience. 

 

A convicção foi reforçada pelos resultados de uma experiência realizada  em parceria com a Universidade de Kent, na qual foi disparado, a alta velocidade,  um projétil de aço contra misturas de gelo, análogas às encontradas nos  cometas.   


O objetivo era reproduzir o impacto de um cometa com uma superfície  rochosa, e o resultado foi a descoberta de vários tipos de aminoácidos,  nomeadamente glicina e alanina D e L.  

 

Estes compostos orgânicos são definidos pela cientista portuguesa como  "os blocos constituintes da vida", pois estão na origem de proteínas que,  por sua vez, são essenciais à existência de matéria viva. 

 

Zita Martins conta que já se sabia que os cometas, astros que na sua  composição têm gelo, podem conter aminoácidos, como foi recentemente confirmado  pela descoberta de glicina no cometa Wild 2, através de amostras recolhidas  pela NASA, a agência espacial norte-americana.  


Mas esta simulação em laboratório convenceu os autores de que os aminoácidos  também podem aparecer com o impacto de corpos rochosos, como meteoritos,  em superfícies de gelo em planetas ou noutros corpos celestes, como são  as luas Europa e Enceladus, de Júpiter e Saturno. 

 

Tal como outros astrobiólogos, Zita Martins afirma que, cada vez mais,  a hipótese de que os satélites de Júpiter e Saturno "poderão ter vida, começa  a ganhar credibilidade" e mais interesse do que Marte, onde se têm centralizado  as mais recentes missões espaciais.

  

"Até agora só existiam teorias de como a vida pode ter surgido, mas  esta experiência reforça a suposição de que o gelo e o impacto são essenciais",  vincou, lembrando que aquelas luas foram alvo do choque com inúmeros cometas  e meteoritos há cerca de quatro mil milhões de anos.  

 

O artigo publicado hoje, na versão "online" da revista Nature Geoscience,  em coautoria com Mark C. Price, contribui também para o estudo do processo  da criação da vida no planeta Terra, possivelmente iniciado há cerca de  quatro mil milhões de anos. 

 

Para a investigadora portuguesa, há cinco anos no Imperial College,  o próximo passo será perceber, no entanto, se o impacto de gelo e rocha  no espaço pode sintetizar proteínas ou outras formas moleculares mais complexas,  e assim chegar mais perto da resposta à questão sobre a possibilidade de  existência de vida noutras partes do sistema solar.  

 

Fonte -   SIC Notícias  

 

 
 
 

29 julho 2013

Dívida sem Perdão!


"A prestigiada revista Nature (ver artigo de Filomena Naves, no DN de 25 de julho) alertou para a "bomba-relógo" representada para o clima e para a economia mundiais pelo iminente colapso parcial do "permafrost" dos fundos marinhos do oceano Ártico, agora exposto ao aquecimento da coluna de água exposta à radiação solar, devido ao degelo das massas de gelo flutuantes. Com isso poderão ser libertados para a atmosfera 50 mil milhões de toneladas de metano, cujo efeito de estufa é vinte vezes mais intenso do que o do dióxido de carbono. E não ficamos por aqui. Estudos sobre o comportamento dos oceanos mostram que a maior parte do calor associado às alterações climáticas está a ser absorvido pelos mares, e que, com uma alta probabilidade, ele será devolvido, parcialmente, à atmosfera, dentro de alguns anos, aumentando, assim, de modo brusco, a temperatura média à superfície do planeta.


Por outro lado, a investigação sobre a criosfera, em particular na Gronelândia, revela-nos um processo muito acelerado de desagregação dos glaciares, que provocará, se se confirmar, uma subida, muito mais rápida do que o previsto, do nível médio do mar, tornando o litoral numa zona ameaçada pelo aumento da erosão e da intrusão marinha, danificando as infraestruturas costeiras. Enquanto andamos entretidos com bagatelas como a "dívida soberana", encolhemos os ombros à destruição acelerada da habitabilidade deste planeta que tratamos como se fosse um de entre muitos, e não a única casa onde os nossos filhos poderão sobreviver na solidão do infinito cósmico. A dívida soberana poderá ser reestruturada e amenizada. A dívida ambiental, do futuro que estamos a deixar roubar aos mais jovens, e aos que ainda não nasceram, essa, não tem perdão."


Viriato Soromenho Marques  - Diário Notícias 




 

04 julho 2013

A maldição de Unamuno !



"O grande filósofo espanhol Unamuno (1864-1936) conhecia bem Portugal. Foi amigo de Manuel Laranjeira, que terminou a vida disparando um revólver contra si próprio, em 1912. Unamuno registou também a bala mortal de Antero de Quental (1891), antecedida do disparo fulminante de Camilo Castelo Branco (1890). A indução é quase inescapável. Unamuno chamou a Portugal "um país de suicidas". Ao olhar para a situação deplorável do Governo, é impossível não pensar que o diagnóstico do pensador espanhol permanece, de alguma maneira, válido. Num Governo com ampla maioria parlamentar, suportado incondicionalmente por Belém, com uma oposição cordata, o Executivo implode devido ao desacerto entre Passos e Portas. Há, contudo, duas diferenças: Laranjeira, Quental e Camilo puseram termo à existência, não na sequência de uma explosão narcísica, como no choque entre Portas e Passos, mas talvez por terem olhado o mundo de frente, demasiado tempo, sem pestanejar. Em segundo lugar, Laranjeira, Quental e Camilo dispararam apenas contra si próprios, enquanto Portas e Passos agrediram uma nação inteira.


Não foi só a destruição de valor na Bolsa nacional, que escalou quase aos três mil milhões de euros. É a confirmação, aos olhos do mundo inteiro, de que somos liderados por adolescentes que não cresceram, na altura em que o País precisaria, desesperadamente, de estadistas. Quanto aos dirigentes do CDS que mandataram Portas para dialogar com Passos, aconselho a que troquem os filmes de série B, sobre zombies, por leitura clássica. Recomendo o Livro dos Mortos do Antigo Egito, um tesouro de espiritualidade recuperado para a Europa pelo alemão Karl Lepsius. Aí se aprende que a viagem dos mortos se faz apenas num sentido. Sem regresso."

 

 

Viriato Soromenho Marques     Diario Noticias  




 
 

28 junho 2013

Mandela, que me libertou

 

 

 "Eu sou um homem branco e sei-o desde criança. Num quintal luandense, um carregador negro, ferido por uma palavra que eu, miúdo de calções, lhe dissera, tirou um canivete, cortou-se levemente no braço e mostrou-mo: "Olha, é igual ao teu." Aprendi. Eu sou aquele que precisou que lhe mostrassem uma evidência. O bocado da minha vida de que mais gosto é que depois de mostrada nunca mais esqueci aquela evidência. Fiz amigos, daqueles que me sorriem na memória, fiz escolhas, daquelas que me marcaram o destino, em que pesou eu saber que aquela evidência - a igualdade dos homens - é. É mais do que justa. Simplesmente é, existe. Como aconteceu a muitos pied-noirs, tive de responder à opção que Camus definiu ser entre a justiça e a mãe. Escolhi o campo nacionalista angolano, quando isso não era comum entre os brancos, lutei por ele, quando era perigoso fazê-lo, tive de me exilar, quando não se sabia por quanto tempo.


Mas, desmentindo o dilema de Camus, nunca me senti contra a minha mãe (e o meu pai) - nem quando a história lhes tirou a terra que era deles. Na verdade, sobre a questão política fundamental que se me pôs na vida, a independência de Angola, eu não podia ser outra coisa senão aquilo que o pequeno fio de sangue de um carregador negro me mostrou. Apetece-me dizer isto hoje porque a minha vida só faz sentido porque houve um líder como Nelson Mandela. Sem ele eu sentir-me-ia abusado, dano colateral, mexilhão. E não, não sou. "

 

 

Ferreira Fernandes -  Diario Noticias  





 

14 junho 2013

Alterações climáticas!!!


Inundações ameaçarão 100 milhões no fim do século

 

por Carolina Oliveira, editado por Ricardo Simões Ferreira - Diário Notícias
 

 

A população global será ameaçada 25 vezes mais por inundações até ao final do século, comparativamente com o que acontecia em meados do séc. XX, segundo um estudo realizado pela Universidade de Tóquio divulgado ontem. Cerca de 100 milhões de pessoas ficarão assim em risco devido a alterações climáticas.

 

O estudo analisa as alterações ocorridas nos casos de cheia a nível global e alia as previsões de subida de temperatura provocadas pelo aquecimento global. E conclui que até 2100 o risco de cheias pode afetar até 40% da superfície da Terra.

Caso o aquecimento global se mantenha em 2 graus Celsius, o número de pessoas ameaçadas pelas cheias poderá ser de 30 milhões. No pior cenário, se a temperatura subir até aos 6 graus Celsius, estarão em risco de serem afetadas por enchentes 106 milhões de pessoas.


A equipa do estudo, publicado no jornal britânico "Nature Climate Change", é liderada pelo professor de Hidrologia Yukiko Hirabayashi. Para chegar a esta conclusão, analisaram 11 modelos climáticos e os mais recentes modelos de cheias.

  

 

21 março 2013

Satélite Voyager



É um marco assinalado a estrelas e anos luz que a humanidade acaba de atingir. Milhões de anos após os primeiros homens olharem para o céu e tentarem perceber o que estava além daqueles pontos distantes, o ser humano conseguiu finalmente ultrapassar algo aparentemente inatingível.

O satélite Voyager tornou-se o primeiro objeto construído pelas nossas mãos a ultrapassar os limites do Sistema Solar e a sair completamente da influência dos raios solares, de acordo com a "American Geophysical Union".

O marco chega 35 anos após o lançamento do satélite, que ultrapassou todas as expectativas de durabilidade e foi alimentando as expectativas dos especialistas relativamente à possibilidade de atingir esta meta.

Placa dourada

 

"Num espaço de poucos dias, a intensidade heliosférica da radiação do satélite diminuiu e a intensidade dos raios cósmicos aumentou, dados que demonstram que o objeto abandonou a heliosfera. Estamos numa nova região. E tudo o que estamos a analisar é diferente e excitante", afirmou Bill Webber, professor emérito de Astronomia na Universidade estadual do Novo México, em declarações reproduzidas pela revista "Time". 

De acordo com o "Huffington Post", desde que entrou em órbita, a 5 de setembro de 1977, que o Voyager já viajou mais 17 mil milhões de quilómetros e trouxe-nos imagens nunca antes vistas dos planetas do sistema solar. O satélite foi construído com uma placa dourada que contém dados da civilização humana, caso o objeto seja encontrado por algum ser extra-terrestre.

Agora, o satélite tem como destino a estrela AC +793888, à qual, em principio nunca chegará porque as suas reservas de plutónio irão acabar dentro de 15 anos

 

Quando tal acontecer, o transmissor deixará de funcionar o Voyager vagueará sem rumo pelo Universo.

 

Ler mais: Expresso





10 fevereiro 2013

Curiosidade em Marte!


 
 
 

Está aberto um buraco no solo do Planeta Vermelho para recolha de amostras para análise. Missão cumprida.

A NASA (Agência Espacial norte-americana) classificou de êxito a missão programada para o "Curiosity" em Marte: perfurar solo marciano pela primeira vez e recolher amostras para análise. Do pequeno buraco, de 6,4 centímetros de profundidade e 1,6 centímetros de diâmetro, serão extraídas amostras para análise. As imagens do buraco feito chegaram hoje à Terra. "Este feito é o marco mais importante para a equipa do "Curiosity" desde a aterragem em Agosto último, outro dia de orgulho para a América", disse o administrador associado da NASA para as Missões Científicas, John Grunsfeld.

 

Fonte - Diario Noticias





 

21 novembro 2012

O declínio da Europa!

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"A consequência imediata deste mau desempenho económico está no emprego, que entrou em regressão, elevando a taxa de desemprego para 12% da população activa, um valor sem paralelo noutras áreas como os EUA, a China ou o Japão. Numa Europa em que quase tudo corre mal, este é um indicador explosivo que vai perseguir-nos pela vida fora. E não me venham com histórias de embalar meninos. Esta austeridade “porque sim”, mera birra de economistas frustrados, é das coisas mais estúpidas que nos poderiam acontecer.

 

O corolário de tudo isto é uma dívida que, a não ser reestruturada, pode pôr em causa a sobrevivência do próprio euro. Ponto um: esta dívida não poderia exceder 60% do PIB, mas só 5 dos 17 países respeitam a regra. Ponto dois: a média da zona euro é de 92% do PIB, e à volta deste valor andam a Espanha, a França e a Alemanha. Ponto três: com dívidas superiores a 100% do PIB estão a Irlanda, a Itália, a Grécia e Portugal. Alguém me explica como é que uma austeridade sem regras vai gerir estas situações?



A este descalabro europeu as ‘troikas’ que nos governam contrapõem que vamos no caminho certo. Nem de propósito: um estudo recente da OCDE veio revelar-nos exactamente o contrário. Hoje em dia, para um PIB mundial igual a 100, os EUA valem 23, a zona euro 17 e a China também 17. E, feita uma projecção até 2030, para o mesmo PIB mundial de 100, a zona euro cai para 12, os EUA caem para 18 e a China sobe para 28. Ou seja: os chineses preparam-se para dominar o mundo e a Europa vai assobiando para o ar.

Que dizem a isto os alemães?"


Fonte - DE   Daniel Amaral