11 novembro 2006

Claridade


Clareou.
Vieram pombas e sol,
E de mistura com o sonho
Posou tudo num telhado...
Eu destas grades a ver
Desconfiado

Depois
Uma rapariga loura
(era loura)
num mirante
estendeu roupa num cordel:
roupa branca, remendada
que se via
que era de gente lavada,
e só por isso aquecia...

E não foi preciso mais:
Logo a alma
Clareou por sua vez.
Logo o coração parado
Bateu a grande pancada
Da vida com sol e pombas
E roupa branca, lavada.

Poema Miguel Torga
Foto José Varela

3 comentários:

Ludovicus Rex disse...

Boa escolha meu amigo.
Um abraço

a.castro disse...

Um poema tão bonito (do Torga só podia ser!) como a imagem (que parece ser imagem "de computador").
Bom fim-de-semana, um abraço.

a.castro disse...

É altura de dizer que já li o poema várias vezes e que quanto à imagem não resisti e roubei-a!!! - pode ser que qualquer dia apareça "noutro lado"...
Desculpa MGomes, abraço